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Vimaranense Cláudia Martins premiada pela investigação contra o cancro cerebral

A vimaranense Cláudia de Freitas Martins foi distinguida com uma Medalha de Honra L’Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência, pelo trabalho que tem vindo a desenvolver na procura de novas estratégias terapêuticas para o glioblastoma, um dos tumores cerebrais malignos mais agressivos.

A investigadora foi uma das quatro cientistas selecionadas entre 126 candidaturas a nível nacional na 22.ª edição desta iniciativa, promovida pela L’Oréal Portugal, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pela Comissão Nacional da UNESCO. A cerimónia de entrega das distinções realizou-se no dia 16 de setembro, no Teatro da Luz, em Lisboa, e contou com a presença do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Atualmente investigadora no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), da Universidade do Porto, Cláudia Martins integra o grupo Nanomedicines & Translational Drug Delivery, onde desenvolve investigação nas áreas dos biomateriais, fármacos, nanomedicina e administração de terapias ao cérebro.

O projeto distinguido procura responder a um dos principais desafios no tratamento do glioblastoma: as células cancerígenas que podem permanecer no cérebro depois da remoção cirúrgica do tumor e contribuir para o reaparecimento da doença.

Para isso, Cláudia Martins está a desenvolver um pequeno implante que poderá ser colocado diretamente na zona onde o tumor foi removido, funcionando como um reservatório de medicamentos. A tecnologia combina a libertação localizada e faseada de um agente quimioterapêutico, um fármaco destinado a contrariar mecanismos de resistência das células tumorais e uma terapia genética dirigida a uma proteína associada ao crescimento e disseminação do tumor.

A possibilidade de libertar diferentes componentes no local e no momento adequados poderá ajudar a ultrapassar algumas das limitações dos tratamentos atuais, nomeadamente a dificuldade de muitos medicamentos chegarem ao cérebro devido à barreira hematoencefálica. Trata-se, contudo, de uma investigação em desenvolvimento, não constituindo ainda um tratamento disponível para doentes.

A distinção representa também um apoio financeiro de 15 mil euros para o desenvolvimento do projeto. No total, as quatro investigadoras premiadas receberam 60 mil euros. Além de Cláudia Martins, foram distinguidas Ana Filipa Esteves e Fátima Santos, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e Inês Alves, do i3S.

Cláudia Martins tem uma ligação académica à Universidade da Beira Interior, onde frequentou Ciências Biomédicas entre 2012 e 2015. O seu percurso científico inclui ainda o Prémio de Tecnologia Galenus, atribuído em 2023 pela Fundação Galenus, na Áustria, pelo trabalho desenvolvido em tecnologia farmacêutica e biofarmácia.

A ligação à cidade mantém-se também através da divulgação científica. A investigadora esteve envolvida na organização do Pint of Science em Guimarães, festival internacional que procura aproximar a ciência da comunidade.

Para Cláudia Martins, a Medalha de Honra L’Oréal representa o reconhecimento de anos de dedicação à investigação e do trabalho desenvolvido com estudantes, colaboradores e parceiros nacionais e internacionais.

A distinção coloca agora o nome da investigadora vimaranense entre as cientistas portuguesas reconhecidas pelo contributo para a investigação nas áreas da saúde e do ambiente.

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