Mais Guimarães

Sem jornalismo, a democracia fica mais pobre

É um número demasiado expressivo para ser ignorado. Mas, mais do que um problema laboral, deve ser encarado como um alerta para a própria qualidade da democracia.

O jornalista não é apenas alguém que escreve notícias, faz entrevistas ou aparece perante uma câmara. É, muitas vezes, quem pergunta aquilo que outros prefeririam não responder, quem procura documentos, confirma factos, confronta versões e dá aos cidadãos informação que lhes permite compreender a realidade e tomar decisões conscientes.

Numa democracia, o poder precisa de ser escrutinado. As instituições precisam de ser acompanhadas. As decisões públicas precisam de ser explicadas. E os cidadãos precisam de ter acesso a informação credível, plural e independente. É neste espaço que o jornalismo desempenha uma função que não pode ser substituída pelas redes sociais, pelos algoritmos ou pela inteligência artificial.

Vivemos, porém, num tempo em que a velocidade parece valer mais do que a verificação e em que qualquer pessoa pode publicar e amplificar informação em segundos. É precisamente por isso que o jornalista profissional se torna ainda mais necessário. Informar não é simplesmente publicar. É confirmar, contextualizar, questionar e assumir responsabilidade pelo que se transmite.

Que quase oito em cada dez jornalistas participantes neste estudo já tenham pensado abandonar a profissão deve preocupar-nos a todos. Porque, quando perdemos jornalistas, não perdemos apenas profissionais. Perdemos experiência, memória, investigação e capacidade de escrutínio.

Defender melhores condições para os jornalistas é, por isso, defender o próprio jornalismo. E defender o jornalismo é defender a democracia.

Exit mobile version