15 anos depois, “dá-me o teu mundo outra vez”

Abrir o concerto dos Black Eyed Peas foi, talvez, o momento alto da sua carreira. Em 2007, lançou “Vem Cá” e “Lady, deixa-te levar”. TT marcou uma geração que, ainda hoje, sabe as suas músicas de trás para a frente. O que a chamada geração Morangos com Açúcar não esperava era este regresso de Tiago Teixeira, pioneiro no R&B em Portugal, que acordou 2022 com dois novos singles “Intuição” e “Abraça”.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

O que é que significam 15 anos de carreira?

Sou um sortudo. Significam que, de alguma forma, fiz as coisas bem feitas. Se calhar, bem feitas, não é melhor expressão. Consegui chegar às pessoas de uma forma genuína.
Comecei a fazer música e nem sabia o que era a indústria da música, não sabia que se podia viver da música. Basicamente, passava para o papel e para áudio histórias que tinha na minha cabeça. As pessoas ligaram-se a elas e ficaram.

Ao escreveres sobre a “Lady, deixa-te levar”, no Instagram, disseste que eras o “gajo mais feliz do mundo”. És o gajo mais feliz do mundo?

Sou, sem dúvida alguma. Sou muito grato por fazer aquilo que eu gosto e estar durante 15 anos, que são muitas vidas. Tenho um respeito enorme pelo que se passa no mundo ao longo dos anos. Sou muito atento e muito sensível ao que se passa no mundo. Poder viver da música e fazer aquilo que eu gosto é um privilégio tão grande que nunca vou conseguir agradecer o suficiente ao público, à indústria, às rádios…

O público ainda te recebe da mesma maneira que te recebia?

Igual. Acho que cheguei ao público como um amigo e não como uma pessoa que entende da indústria e que percebeu as lacunas e quer entrar porque está na moda. Cheguei numa altura em que fiz porque curtia fazer e não sabia o retorno. Acho que foi isso que me ligou às pessoas, identificarem-se com a simplicidade e com o que eu fazia.
A “Vem Cá” continua a ser o verdadeiro tema do amor e dos namorados eternos?

Sim! Já tive a sorte de presenciar casamentos, namoros, bebés, pessoas que tatuaram parte da música… Não sei como mas foi uma música que ficou com as pessoas.

Neste concerto havia muitos telemóveis que diziam “TT, traz de volta os Morangos com Açúcar”. Sentes que marcaste uma geração?

Tive sorte de, quando me lancei, haver essa novela que dava a conhecer aquilo que se fazia em Portugal e não havia muitos tabus. Era um bocadinho rebelde no que tocava a mostrar coisas novas. Os Morangos deram-me visibilidade.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

Lançaste recentemente duas novas músicas e estás a voltar aos palcos. Estamos a presenciar um regresso em grande do TT?

Estes dois últimos singles refletem aquilo que partilhei contigo há bocado: estar grato de conseguir e estar há tanto tempo a fazer música. A “Intuição” diz isso mesmo: “por mais que eu não entenda/sigo a minha intuição/não me foco no problema/visualizo a solução”. Durante 15 anos há muitos altos e baixos e foi aí que aprendi a resolver-me, a ter paciência, a dar tempo ao tempo, acreditar, visualizar o que eu queria. O “Abraça” foi a continuação: “acredita e vai/abraça o que aí vem/se te prende sai/escolhe o que te faz bem”. É mesmo isto. Todo este processo, sem querer, fez-me escrever como se eu estivesse a falar comigo mesmo. Estou-me a aconselhar a mim mesmo. É um caminho que eu quero seguir, dizer às pessoas para se protegerem, para acreditarem em si, para terem cuidado com o planeta, terem compaixão com o próximo. Não perdendo o que fiz até agora, que são temas mais de amor, quero conseguir trazer mensagens que considero extremamente importantes.
Por acaso o próximo single é uma história de amor, como já habituei. Percebi que, infelizmente, as pessoas não querem ouvir falar do que realmente está a acontecer. As pessoas preferem virar a cara. Estivemos aqui num momento fantástico e, enquanto isso, milhares de pessoas estão a morrer à fome ou em guerra. Quero muito tocar nesses assuntos. Tenho dois filhos e quero que tenham compaixão, se te virem triste perguntarem-te porquê. Mas cada vez mais reparo que o público não quer ouvir estas mensagens assim tão diretas. É pena, mas tenho de me adaptar ao mercado.

TT é de Tiago Teixeira ou de todo o terreno?

Também é de todo o terreno [risos].
TT foi porque, como fui pioneiro do R&B e tudo o que eu ouvia de lá de fora tinha nomes espetaculares, achei que não fazia sentido Tiago Teixeira.

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