25 de Abril, Sempre!

por TORCATO RIBEIRO 

Esta pandemia pôs a nu fragilidades da nossa sociedade. Na saúde, área onde se concentram todas as atenções de momento, ficou bem patente o continuo desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde quer em pessoal quer em equipamento, que só não teve efeitos nefastos de grande dimensão, porque temos bons profissionais qualificados e dedicados e pelo bom comportamento da maioria da população portuguesa que acatou exemplarmente as regras de isolamento propostas pela autoridade sanitária. Estes dois factores adiaram e, acredito anularam, o inicialmente previsível colapso hospitalar.

Ficou também demonstrada a importância e as vantagens para a maioria da população do controlo dos serviços e bens essências pelo Estado. Realidade que até é confirmada pela oposição liberal que nesta altura reclama, mais do que seria espectável, de uma maior intervenção governamental na ajuda à economia! Até reclamam nacionalizações, claro que apenas enquanto houver prejuízos. Ironias…

O SNS passou a ser a tábua credível de salvação para quem está contaminado, anulando a oferta privada, que nesta matéria como em muitas outras só se interessa pelas que envolvem menos custo e proporcionam maior rentabilidade. Muito liberalismo quando as coisas dão certo, não sendo assim ao menor sinal de alarme ala para o público que tem sempre a almofada de conforto à espera.

Não esqueço aqueles que obrigados ao confinamento passam grandes dificuldades para cumprir esta obrigação. Sim temos de pensar que há vários tipos de confinamento e o grau de dificuldade é ampliado pelas insuficiências habitacionais que uma grande maioria do nosso povo tem.

Vamos comemorar Abril de forma a cumprir as normas que a autoridade da Direcção Geral de Saúde recomenda: sem ajuntamentos na rua e sem manifestações. Todo o programa que estava a ser delineado para a comemoração deste dia foram canceladas. No entanto há a necessidade de nos reinventarmos e não deixarmos passar em claro a data que nos permitiu a madrugada livre e pura que Abril nos legou e que os que tiveram a felicidade de o viver continuem a passar a palavra quanto ao seu significado e da sua importância na melhoria da qualidade de vida do povo português.

Vozes discordantes se levantam quanto à cerimónia solene que se vai realizar no próximo sábado na Assembleia da Républica para assinalar o 25 de Abril. Algumas, salvo honrosas excepções, revelam apenas o que sempre sentiram sobre o significado desta data e o enorme desejo, até aqui reprimido, da sua não realização. À boleia da pandemia usam todas as armas para impedir o que foi maioritariamente acordado pelos Deputados na decisão da sua realização.

Propositadamente omitem o facto da Assembleia da Republica nunca ter encerrado a sua actividade em momento algum e que segundo a Constituição é a Assembleia tem a obrigação de fiscalizar a execução do estado de emergência.

A extrema-direita, alimentada por alguma comunicação social, está a perder a vergonha de assumir publicamente o seu ódio à democracia.

A Assembleia da Republica assinalará, e muito bem, no próximo sábado 25 de Abril, como sempre o fez, o Dia da Liberdade.

Nós, que gostamos de Abril, impedidos de vir para a rua, vamos cantar a Grândola da janela da nossa casa, pelas 15.00 horas!

25 de Abril, Sempre!

Artigo publicado na edição 238 do jornal Mais Guimarães, 22/04/2020

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