“Sou um enteado muito feliz desta cidade histórica”

Entrevista publicada na edição de setembro da rvista Mais Guimarães.

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Figura ligada a muitos momentos da história centenária do Vitória Sport Clube, Peres, de 83 anos, não esquece os melhores momentos passados em Guimarães. De todos os momentos recordados na conversa mantida com a Mais Guimarães, há um que jamais fugirá da memória de Peres.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

Faz parte de muitos momentos marcantes da história do Vitória. Como vai ser viver e sentir as comemorações do centenário?

Será um momento único, indescritível, e de enorme respeito por um emblema que me deu muitas alegrias. Será um prazer estar presente num dia histórico, porque não há mais cem anos para celebrar.

Nasceu na freguesia de Candal, em Vila Nova de Gaia, mas vive há 60 anos em Guimarães. O que diz o coração?

Sinto-me vimaranense e vitoriano. Costuma dizer-se que Guimarães é uma má mãe e uma boa madrasta. Como enteado, confirmo plenamente esta máxima. Sou muito feliz por ser um vimaranense adotado. E, pelo Vitória, tenho um amor verdadeiro. Já sou dos sócios mais antigos.

Foi jogador, treinador e dirigente. Muitas boas memórias?

Claramente que sim, porque abracei todas essas etapas com prazer. Representar o Vitória é sempre um orgulho imenso. E quem sente o Vitória percebe o que estou a dizer. O Vitória é paixão verdadeira, um sentimento único. É isso que nos caracteriza.

Fez parte da equipa que esteve muito perto de ser campeã nacional. Ainda é um grande amargo de boca.

Foi uma grande época com o Jorge Vieira, um treinador brasileiro que veio do Belenenses para o Vitória. Foi uma época notável, mas perdemos no Restelo, o que nos impossibilitou de discutir o título. Se tivéssemos ganho esse jogo, estávamos bem encaminhados para sermos campeões.

Na sua passagem pelo Vitória teve seis presidentes. Que recordações tem deles?

Sempre servi o Vitória com prazer e dignidade, por isso, tenho boas memórias de todos eles. Mas destacaria, talvez, o Engenheiro Hélder Rocha. Na altura estávamos a viver um momento dramático e ele, com o negócio do Pedras e do Augusto Silva, conseguiu equilibrar o clube financeiramente. Era uma comissão administrativa e conseguiram dar a volta.

© Direitos Reservados

A inauguração do estádio municipal também foi um momento marcante?

Foi um dia de festa. O adversário foi o Belenenses e o estádio esteve cheio, embora com uma capacidade menor. Mas a cidade mobilizou-se pelo Vitória, como acontece ainda nos dias de hoje.

A mobilização de adeptos já é antiga. A invasão a Coimbra, em 1962/1963, ainda está bem viva?

Foi para a Taça de Portugal, num terceiro jogo com o Belenenses que teve de ser realizado em campo neutro, pois cada uma das equipas tinha ganho em sua casa. Foram milhares de vimaranenses e vitorianos presentes nesse jogo. Como costumam dizer e não está muito longe da verdade, primeiro o Vitória e depois a família.

Numa carreira cheia de momentos importantes, o Peres também esteve presente na primeira equipa que disputou as competições europeias.

Foi histórico. Na primeira aparição na Europa, na antiga Taça das Cidades, eliminamos o Banik Ostrava. Depois, acabamos por ser eliminados pelo Southampton.

De tudo o que foi falado, alguma história que o tenha marcado?

Ser capitão foi a minha maior glória e honra. Na véspera do jogo em Coimbra, com o Belenenses, substituí no cargo o Silveira, que fraturou o maxilar. Consegui reservar esse estatuto de capitão e ser respeitado durante dez anos. Ainda hoje, há muita gente que ainda me trata por capitão.

O Vitória continua a ser um gigante adormecido?

Infelizmente sim. Mas espero que a nova direção, com as decisões que foram tomadas e que são sempre controversas, consiga dar um salto. Depois de arrumar a casa, acredito que o Vitória possa subir para um patamar diferente.

Alguma coisa ficou por dizer?

Absolutamente nada. Estou feliz por ainda não estar esquecido pelos vimaranenses e vitorianos. Também preciso que o meu ego possa ser alimentado com estas recordações para enfrentar a vida com dignidade e sempre com um sorriso.

Ter vindo para Guimarães foi o melhor momento da vida?

Ter escolhido o Vitória foi das melhores decisões que tomei. Sou um enteado muito feliz desta cidade histórica, que também considero minha, e um adepto orgulhoso do nosso Vitória.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães
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