Walking Handball nasceu para ser uma referência

Artigo publicado na edição de dezembro da revista Mais Guimarães.

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Destinada a “jovens” com mais de 60 anos, o Walking Handball permite que os sorrisos superem as tristezas e que a união supere o isolamento.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

Projeto pioneiro e único em Portugal, pensado em 2019, o Walking Handball do Xico Andebol nasceu para crescer e para ser uma referência no país. Enquadrado no cumprimento da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU), a modalidade é destinada a pessoas com mais de 60 anos e tem como principal foco a prática regular de exercício físico nos idosos que pretendam manter um estilo de vida saudável, mas também para combater o isolamento e promover a saúde de um público-alvo. E, nesta vertente, a psicologia também entra em campo, utilizando instrumentos de avaliação cognitiva, sentimentos depressivos, e nível de funcionalidade. “Toda esta atividade é fundamentada num conjunto de estudos científicos que os nossos profissionais tiveram de investir para aplicar no Walking Handball. Temos a Sara Guimarães, treinadora e preparadora física, e a psicóloga Sara Tavares, que acompanham constantemente todo o processo”, lembrou Mauro Fernandes, presidente do Xico Andebol e principal impulsionador do projeto.

“O objetivo inicial era envolver esta faixa etária no clube, porque são pessoas que normalmente aparecem ao pavilhão para trazerem os netos. Depois de ter realizado algumas formações do Walking Football, organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol, rapidamente percebi que era possível fazer o mesmo com o andebol. Fomos criando condições para ter profissionais especializados e estamos no caminho certo e com excelentes resultados”, acrescentou.
No Walking Handball, cujo sucesso desportivo não é nem nunca será a prioridade, a modalidade é disputada a um ritmo mais lento, no qual o jogador pode apenas dar três passos com a bola na mão, mas sem poder correr. Segundo as regras, apenas pode driblar, passar ou rematar sem contacto físico.

“Há interesse de outros emblemas e estamos a desenhar um modelo para replicar noutros clubes, com o nosso apoio e orientação. Temos para aprovação o registo desta marca, que é o Walking Handball em Portugal, e o modelo que estamos a desenvolver. A competição será sempre irrelevante, mas seria interessante no futuro existir um campeonato, até para que os praticantes possam conhecer pessoas de outras zonas do país e, dessa forma, combaterem estados de tristeza, isolamento ou mesmo depressão. É necessária uma intervenção global da Federação, que até ao momento não está interessada e não enquadrou o projeto na sua atividade. Não havendo interesse, faremos o caminho com os nossos parceiros”, perspetivou Mauro Fernandes.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

A psicóloga Sara Tavares documenta a evolução de cada atleta, promovendo jogos e atividades para perceber e promover interações. Entre os vários módulos trabalhados, o jogo das emoções, que também trabalha a parte física, permite entender vários aspetos. “As emoções fazem parte do quotidiano e os praticantes libertam os seus sentimentos, sejam eles positivos ou negativos. Paulatinamente, dado que nesta faixa etária trabalhamos muito o autoconhecimento, os nossos praticantes ganham e recuperam a confiança que foram perdendo, por uma ou outra razão, ao longo dos anos”, justificou. “Quanto mais nos conhecemos, maior confiança temos em nós e mais fácil se torna socializarmos. E isso permite-nos combater o isolamento, conhecer outras realidades, partilhar histórias, entre muitos outros aspetos. Através das atividades, muitas delas dinâmicas, verificamos um contágio emocional tremendo. Os sorrisos superam as tristezas e a união supera o isolamento”, justificou.

A nível clínico, os primeiros resultados já apareceram. “Tínhamos uma atleta com inícios de depressão e, deste que veio para cá, a psicóloga que acompanhava a utente reduziu a medicação. E os resultados têm sido extraordinários”. “A prevenção clínica ajuda bastante a diagnosticar e temos sempre essa preocupação. Além disso, a atividade física ajuda a prevenir o aparecimento de doenças mentais e ajuda a estagnar os problemas mentais, porque o cérebro acaba por estar mais estimulado. Estando cá, evitam o isolamento social e adquirem ferramentas importantes na prevenção de muitas doenças, entre as quais a depressão ou a baixa autoestima. Também trabalhamos a memória a longo prazo, que lhes permite estimular sensações positiva”.

A parte física e técnica está a cargo de Sara Guimarães. “Queremos tornar os idosos mais ativos. Queremos que saiam e que convivam. E com o Walking Handball estamos a conseguir isso, com atividades de motricidade, velocidade de reação, entre outros exercícios. São pequenas atividades. mas que os enriquecem a nível físico e a nível psicológico”, enumerou.

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