Obesidade afeta 30,97% das crianças do 1º ciclo em Guimarães: pais são o maior desafio

Esta é uma das principais conclusões de um estudo promovido pelo Centro de Estudos da Tempo Livre, apresentado esta quarta-feira, que alerta para a persistência de comportamentos de risco e destaca os pais como a maior barreira à mudança de hábitos alimentares.

© Helena Lopes / Mais Guimarães

A vereadora da Educação da Câmara Municipal de Guimarães, Adelina Pinto, deu conta da aposta reforçada na política de inclusão de hábitos saudáveis nas escolas, tanto ao nível de nutrição, como da prática desportiva. Salientou também a importância de surgirem orientações a implementar junto dos mais pequenos, até aos três anos.

Assumiu ainda uma posição firme sobre o tema, sublinhando a importância do envolvimento das famílias na promoção de estilos de vida saudáveis. “Há resistência em aceitar hábitos como o consumo de sopa ou de legumes na escola. Precisamos de uma grande campanha de sensibilização junto dos pais”, afirmou. “Os pais têm de ser aliados nas políticas de educação alimentar”, acrescentou, defendendo ainda a definição de orientações específicas para os contextos de creche, até aos três anos de idade.

O estudo avaliou cerca de 5 mil alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, abrangendo os 14 agrupamentos escolares do concelho e 57 escolas. Teve em consideração variáveis como peso, altura, perímetro abdominal, frequência nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC), prática desportiva, local onde os alunos almoçam e modo de deslocação para a escola. Os dados revelam que 1,59% das crianças apresenta baixo peso, 67,43% tem peso normal, 19,75% apresenta excesso de peso e 11,22% são obesas. Além disso, a prevalência de excesso de peso e obesidade aumenta progressivamente do 1.º ao 4.º ano.

Relativamente aos hábitos diários, o estudo indica que 80,48% das crianças frequentam AEC, 67,76% praticam desporto, 94,81% almoçam na escola e 93,54% deslocam-se em veículo motorizado.

Apesar de os números continuarem elevados, o relatório assinala uma melhoria significativa face aos dados de 2015, com uma redução de 13% na prevalência de excesso de peso e obesidade. O vereador do Desporto, Nélson Felgueiras, destacou esta evolução, referindo uma descida considerável ao longo da última década.

Já o diretor regional do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), Vítor Dias, propôs que a análise seja alargada ao ensino secundário, para permitir um acompanhamento mais prolongado da evolução física e comportamental dos alunos até ao 12º ano. O estudo reconhece ainda algumas limitações, como a ausência de dados socioeconómicos, de informações sobre o tempo de prática de atividade física ou dos estilos alimentares fora do contexto escolar. Ainda assim, a principal conclusão é clara: a escola pode e deve continuar a atuar, mas o envolvimento das famílias é determinante para combater de forma eficaz a obesidade infantil.

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