Bandstand Blues Band volta a trazer alma dos blues aos coretos de Guimarães
No próximo dia 29 de julho, o Coreto da Alameda de São Dâmaso, em Guimarães, será novamente palco da Bandstand Blues Band, num concerto que promete ser memorável.

© Direitos Reservados
O espetáculo assinala os 10 anos da irreverente e histórica “Tourné Mundial dos Coretos de Guimarães”, realizada em 2015, quando, num só dia, o grupo percorreu os sete coretos existentes no concelho, levando o Rhythm & Blues a locais onde a música de raiz raramente chegava.
A iniciativa, na altura inusitada e inédita, passou pelos coretos de São Torcato, Gondomar, Pevidém, São Salvador de Souto, Santa Leocádia de Briteiros, Caldas das Taipas e, por fim, a Alameda de São Dâmaso, um périplo musical que os músicos recordam com entusiasmo e alguma ironia: “Não tocámos em mais porque não havia mais”, dizem, entre risos, os elementos da banda.
Um regresso sete anos depois
Após um período de pausa desde 2018, este concerto de celebração marca o reencontro da banda com o seu público, num regresso simbólico ao local onde tudo começou. O espetáculo está inserido no programa da Feira de Artesanato, que decorrerá no mesmo espaço, e representa não só uma viagem ao passado, mas também um tributo à própria essência da banda, espontânea, agregadora e apaixonada pela música.
A génese da Bandstand Blues Band é quase tão inusitada quanto a tournée que a eternizou. No verão de 2015, no âmbito da iniciativa “As Associações Ao Coreto”, foi promovido um concerto intitulado “Blues Ao Coreto”. A ideia original era simples: dois músicos, guitarra e harmónica. Contudo, em poucos dias, o entusiasmo alastrou. Juntaram-se mais elementos — baixo, bateria, sopros — e a formação final acabou por reunir nove músicos, de diferentes gerações e com experiências musicais diversas, mas unidos por uma paixão comum: o Blues e o R&B.
Os ensaios? Não houve. O alinhamento? Decidido no jantar de véspera, no saudoso Restaurante Vira Bar, e anotado numa toalha de papel. A logística foi toda organizada com os recursos da época: telefonemas, mensagens e uma grande dose de improviso. O resultado foi surpreendente. O público vibrou, os músicos também, e ao final do concerto um amigo comum selou o destino do grupo com uma frase que se tornou nome: “Vocês vão chamar-se Bandstand Blues Band”. A referência ao “bandstand”, que significa coreto em inglês, selava a ligação à origem do projeto.
Da improvisação à consagração
Depois daquele concerto inicial, seguiram-se vários espetáculos, sempre com a mesma entrega e autenticidade. A banda cresceu, ensaiou, organizou produções mais elaboradas, e passou a atuar não só em Guimarães, mas em vários palcos do Norte do país. Com o tempo, conquistaram um público fiel, que reconheceu na banda a alma genuína da música tocada com paixão e sem artifícios. O ponto mais alto dessa jornada foi, sem dúvida, a já lendária Tourné Mundial dos Coretos de Guimarães, realizada a 25 de julho de 2015, e que permanece até hoje como um feito singular e absolutamente marcante na história da música local. Concerto comemorativo com formação alargada O concerto do próximo dia 29 de julho será um regresso fugaz, mas carregado de significado, com uma formação alargada e de elevado nível artístico.
A Bandstand Blues Band subirá ao palco composta por: Ana Faria – Saxofone, Carla Castro – Voz, César Machado – Harmónica de blues, voz, Cristiano Martins – Teclados, Gilberto Neto – Harmónica de blues, voz, Joaquim Marques (Quim Pastel) – Guitarra, voz, Jorge Sousa – Bateria, Miguel Magalhães – Guitarra, Rui Melo – Voz, Tiago Lemos – Guitarra, e Zecas – Baixo e direção musical. Com músicos de diferentes origens, estilos e vivências, o grupo mantém o espírito original: tocar para o público como se fosse em casa, com descontração e emoção. Mais do que um simples concerto, o regresso da Bandstand Blues Band ao Coreto da Alameda representa a celebração de um percurso, de uma ideia que nasceu do improviso e se transformou num projeto acarinhado pela comunidade.
Será uma noite de festa, onde se celebram não apenas os dez anos de uma tournée improvável, mas também o valor simbólico dos coretos enquanto espaços de cultura popular e partilha comunitária. O espetáculo terá entrada livre e é uma oportunidade única para rever a Bandstand Blues Band — uma banda que nasceu do coreto e que, ao fim de uma década, regressa ao seu palco de origem.