Fest’in Folk Corredoura: Raízes e encontros com o mundo a dançar em Guimarães
A cidade de Guimarães volta a ser, entre 4 e 11 de agosto, o epicentro da dança, da música e da diversidade cultural com a 10ª edição do Fest’in Folk Corredoura - O Mundo Dança em Guimarães, um festival, com um orçamento de 40 mil euros, que se tornou símbolo da identidade e dinamismo cultural vimaranense.

© Rodrigo Marques/Mais Guimarães
Apresentado esta segunda-feira, 28 de julho, no Teatro Jordão, o evento é organizado pelo Grupo Folclórico da Corredoura e conta este ano com a participação de seis grupos internacionais – da Argentina, Costa do Marfim, França, Letónia, México e Países Baixos – e cinco grupos nacionais. A programação inclui galas, desfiles, workshops, atuações em lares e uma exposição de trajes tradicionais no Guimarães Shopping.
Para Miguel Oliveira, vereador da Cultura na Câmara Municipal de Guimarães, este é um evento que espelha a força do associativismo local e a vitalidade cultural da cidade: “Guimarães é o que é a nível cultural. Temos cultura todos os dias, graças à dinâmica associativa e ao investimento municipal”. Disse ainda que o concelho conta com 22 grupos folclóricos ativos, sendo um dos mais expressivos a nível nacional.
A autarquia enaltece o cruzamento de culturas como uma oportunidade de crescimento e enriquecimento coletivo. “Não temos de ter receio da diversidade, ela torna-nos mais fortes”, afirmou o vereador. Um dos momentos mais esperados do festival será a Gala de Abertura, no Campo de S. Mamede, com a estreia de uma orquestra multicultural formada por músicos dos grupos internacionais e do Grupo da Corredoura. “É um espetáculo corrido, sem pausas, com cerca de 60 minutos de dança e interação contínua, ao qual se junta este ano o Grupo Coral de Ponte e o Coro En’Canto”, adiantou Henrique Macedo, presidente do Grupo Folclórico da Corredoura.
Preparação anual e logística exigente
Organizar um festival com esta dimensão exige quase um ano inteiro de trabalho. “Começamos a preparar a edição seguinte logo em setembro”, revelou o responsável. Desde o contacto com os grupos, passando pela programação, estadia, alimentação e logística geral, tudo é assegurado por elementos do grupo, todos eles não profissionais. “É um orçamento que ronda os 40 mil euros. Temos apoios da Câmara Municipal, do INATEL, de empresas privadas e da Junta de Freguesia, sobretudo ao nível logístico. Mas sem o empenho voluntário dos nossos elementos, este festival não acontecia”, disse.
O alojamento e as atividades decorrem, maioritariamente, na Escola Martins Sarmento, que acolhe os grupos durante toda a semana. “Montamos camas todas as noites, fazemos ali as refeições, as residências artísticas e tudo isso só é possível graças à colaboração da escola”, acrescenta a organização.
O Fest’in Folk Corredoura cumpre os requisitos exigidos pelo CIOFF Internacional, organismo acreditado pela UNESCO, com pelo menos cinco grupos internacionais e oito dias de atividades. “Somos certificados e assumimos a responsabilidade de garantir qualidade. As nossas galas refletem isso”, afirma a organização.
A vontade de fazer crescer o festival é clara. Entre os projetos para o futuro, destaca-se a criação de um Dia do Folclore de Guimarães, que poderá reunir todos os grupos do concelho num único evento. “Estamos a falar de mais de mil pessoas a dançar e a cantar. Será um momento épico”, disse Henrique Macedo.
A organização deixa um convite à população: “Participem. Se não for nas galas, que seja nos workshops, no centro histórico, na celebração ecuménica na Igreja de São Francisco, no dia 10 às 11h00. São momentos únicos que reforçam o papel de Guimarães como cidade viva, aberta ao mundo e fiel às suas tradições”. Com dez anos de história no atual formato, o Fest’in Folk Corredoura confirma-se como um dos mais relevantes festivais de folclore internacional em Portugal.