Câmara de Guimarães lamenta morte de Nuno Portas
Morreu Nuno Portas, arquiteto, professor e urbanista cuja ligação a Guimarães foi decisiva para o desenvolvimento do planeamento urbano da cidade nas últimas três décadas. Figura ímpar do urbanismo português, Portas deixa uma marca profunda no território vimaranense e no pensamento sobre as cidades.

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O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Domingos Bragança, manifestou profundo pesar pelo falecimento de Nuno Portas, arquiteto, professor e urbanista cuja ligação a Guimarães foi decisiva para o desenvolvimento do planeamento urbano da cidade nas últimas três décadas. Destacou a influência do arquiteto “em várias gerações de profissionais, académicos e decisores políticos. “Nuno Portas moldou uma parte essencial da história contemporânea de Guimarães”, afirmou, apresentando condolências à família.
Ao longo de mais de 30 anos, Nuno Portas foi consultor da autarquia e esteve envolvido na definição de políticas públicas para o Município. Participou na elaboração das normas provisórias do Plano Diretor Municipal (PDM) nos anos 1980 e liderou o processo de construção do primeiro PDM aprovado em 1994 — um dos pioneiros em Portugal. Foi também colaborador ativo do Gabinete do Centro Histórico, criado em 1983 para a reabilitação do património urbano.
Durante o seu mandato como Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo (1983-1985), Nuno Portas instituiu os Programas de Reabilitação Urbana, respondendo à crise habitacional e ao envelhecimento dos centros históricos. O Gabinete Técnico Local de Guimarães, um dos primeiros do género no país, tornou-se rapidamente modelo nacional de reabilitação urbana integrada. O trabalho de Nuno Portas em Guimarães ganhou projeção internacional, sendo apresentado em fóruns europeus e servindo de base para práticas urbanísticas em cidades como Madrid, Barcelona e Santiago de Compostela. Em 2007, participou numa missão a Macau para apresentar Guimarães como exemplo em cursos internacionais de reabilitação urbana e políticas culturais.
“O legado intelectual do arquiteto está preservado na Biblioteca da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho, onde se encontra o fundo documental “Nuno Portas”, reafirmando a sua ligação com a cidade”, lê-se.
Reconhecido nacional e internacionalmente, Nuno Portas recebeu doutoramentos honoris causa da Universidade de Aveiro, ISCTE, Instituto Politécnico de Milão e Universidade do Minho, propostos pelo ex-presidente Jorge Sampaio. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2017, recebeu a Medalha de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Em 2012, no contexto de Guimarães Capital Europeia da Cultura, a cidade dedicou-lhe a exposição “O Ser Urbano. Nos Caminhos de Nuno Portas”, celebrando meio século de contributos para o urbanismo.