Trabalhadores do Grupo Celeste marcam greve devido a salários em atraso
Os trabalhadores do Grupo Celeste, que atua nas áreas da panificação, pastelaria e refeições pré-preparadas, vão entrar em greve nos dias 8 e 9 de agosto.

© Grupo Celeste
A decisão surge na sequência de atrasos no pagamento de salários, subsídio de férias e retroativos relativos à aplicação do contrato coletivo de trabalho do setor. O anúncio foi feito esta terça-feira pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN), na sequência de um protesto realizado na fábrica de Polvoreira, em Guimarães, que abastece as lojas e restaurantes do grupo. Cerca de metade dos cerca de 50 trabalhadores recusaram trabalhar nesse dia, em protesto contra a situação.
Diogo Ribeiro, delegado sindical e trabalhador da empresa há 12 anos, afirmou à agência Lusa que os problemas começaram entre abril e maio. “A empresa tem vindo a atrasar o pagamento dos salários. Não há uma data certa e neste momento estão em falta os vencimentos de junho e julho. Também não há garantias de que o subsídio de férias venha a ser pago”.
A estrutura sindical critica o contraste entre os investimentos anunciados pela empresa, incluindo a aquisição recente de uma nova frota de viaturas elétricas e um camião de distribuição, e a situação precária dos trabalhadores, que enfrentam dificuldades económicas e familiares. “Enquanto os trabalhadores esperam pelos salários, o grupo promove uma imagem de modernização e pujança financeira”, lê-se no comunicado enviado pelo SINTAB.
Segundo o sindicato, a administração decidiu ainda reduzir significativamente a produção de produtos frescos, eliminando o turno da noite e provocando perdas salariais a quase todos os trabalhadores. Essa aposta no produto congelado, acrescenta o sindicato, revela-se uma “má opção de gestão”, cujos impactos recaem diretamente sobre quem trabalha.
A greve abrangerá os trabalhadores das empresas Celeste Actual e Conceitos Avulso, Unipessoal, esta última criada há alguns anos e onde foram colocados muitos dos trabalhadores em regime de terceirização. O Grupo Celeste tem sede em Guimarães, com unidades fabris também em Caldas de Vizela e Ermesinde, e opera uma cadeia de lojas espalhadas pelo Norte do país.
O Mais Guimarães já solicitou esclarecimentos à empresa.