Escola Secundária Francisco de Holanda simulou eleições presidenciais nesta quinta-feira
A Escola Secundária Francisco de Holanda promoveu, esta quinta-feira, 15 de janeiro, uma simulação das eleições para a Presidência da República, uma iniciativa inédita naquele estabelecimento de ensino e integrada no projeto de Educação para a Cidadania, com a colaboração da Associação de Estudantes.

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Em declarações ao Mais Guimarães, Sandra Machado, professora da escola e membro da Comissão Escolar-Eleitoral, explicou que esta é a primeira vez que a escola realiza uma atividade deste género. “Não é um estudo exaustivo nem científico, mas também não é uma atividade comum nas escolas. A simulação de eleições permite criar contextos de aprendizagem muito relevantes”, sublinhou.
O principal objetivo passou por sensibilizar os alunos para o papel do Presidente da República e para o funcionamento do sistema político português. “Esta iniciativa permite falar da Constituição, dos órgãos de soberania, das relações entre eles, dos poderes e das funções. Há aqui um conjunto muito vasto de competências e de formação cívica que podemos associar a este processo”, referiu a docente.
Segundo Sandra Machado, muitos alunos mostraram surpresa ao perceberem como está organizada a distribuição de poderes em Portugal. “Nos primeiros debates televisivos foi até frequente surgirem assuntos que não correspondiam às funções do Presidente da República. Isso mostrou que, não só os alunos, mas os cidadãos em geral, têm ainda pouca sensibilidade para a perceção dos poderes constitucionais e para a relação entre os diferentes órgãos de soberania”, observou.
Apesar de admitir que seria “muito otimista” afirmar uma mudança profunda nos alunos, a professora acredita que o processo de preparação do ato eleitoral contribui para uma maior consciencialização. “Criamos contextos para que haja melhoria. Espero também que este seja um momento de sensibilização para o direito e o dever de voto, para a responsabilidade de eleger representantes e de acompanhar e escrutinar o seu trabalho”.
O ato eleitoral decorreu ao longo de todo o dia, entre as 9h00 e as 17h00, e esteve aberto a todos os alunos do ensino secundário. O processo foi desenhado para ser o mais próximo possível da realidade: houve mesa eleitoral, cadernos eleitorais, urna fechada e identificação dos votantes, neste caso, com o cartão da escola. Ao contrário das eleições reais, poderam votar todos os alunos, independentemente da nacionalidade.
Os resultados serão divulgados apenas no dia 19 de janeiro e a escola admite a realização de uma segunda volta, caso se justifique, cumprindo todas as etapas previstas num processo eleitoral real.
No âmbito da iniciativa, foi também criada a Comissão Escolar-Eleitoral, um órgão homólogo à Comissão Nacional de Eleições, responsável por fiscalizar todo o processo. Foi ainda possível aos alunos constituirem-se mandatários de candidaturas, mediante a recolha de assinaturas, mas a adesão foi reduzida. “É uma primeira edição e houve algumas limitações, nomeadamente na campanha eleitoral. Ainda assim, optámos por sessões de esclarecimento e debates informativos”, explicou Sandra Machado.
A docente encara a experiência como uma base para futuras edições. “O grande objetivo é formar cidadãos mais atentos, participativos, interventivos e exigentes. E tudo começa pela atenção. Essa é a base de tudo”, concluiu.





