Seminário Nacional Eco-Escolas junta educação, sustentabilidade e território em Guimarães

O Seminário Nacional Eco-Escolas 2026 decorre neste fim-de-semana, de 22 a 25 de janeiro, no Centro Cultural Vila Flor (CCVF), em Guimarães, reunindo professores, coordenadores do programa Eco-Escolas e técnicos municipais num encontro dedicado à atualização, co-aprendizagem e partilha de práticas no âmbito da educação para o desenvolvimento sustentável.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Integrado no programa Guimarães 26 – Capital Verde Europeia, o seminário é organizado pela Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação (ABAAE), em parceria com o Município de Guimarães, reforçando o compromisso coletivo com a sustentabilidade, a participação cidadã e a construção de comunidades mais resilientes.

O evento teve início esta quinta-feira com a Conferência Internacional de Educação Ambiental, promovida pelo Laboratório da Paisagem, que deu o mote a quatro dias de debate e capacitação, cruzando conhecimento científico, práticas pedagógicas e experiências desenvolvidas no território.

O encontro tem como principais objetivos reunir professores coordenadores do programa Eco-Escolas e técnicos municipais envolvidos na educação ambiental, incentivar a comunicação e a partilha de objetivos comuns, promover a troca de experiências, debater metodologias e estratégias do programa e divulgar projetos e iniciativas. Ao mesmo tempo, aprofunda temas como biodiversidade, espaços exteriores e ação climática, bem como áreas transversais como água, resíduos, energia, alterações climáticas, agricultura biológica e alimentação saudável e sustentável, reforçando a rede Eco-Escolas a nível nacional e internacional.

No arranque dos trabalhos, nesta sexta-feira, 23 de janeiro, deram-se as intervenções de Fátima Vieira (ABAAE), José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente e de Francisco Teixeira, vice-presidente da APA, Ian Humphreys (FEE) e Isabel Ferreira, vereadora da Educação da Câmara Municipal de Guimarães, seguida da entrega dos Diplomas de Qualidade e Excelência Eco-Escolas 2025. Ao longo do dia sucederam-se painéis dedicados à dimensão internacional e nacional do programa, aos temas Eco-Escolas e à apresentação de projetos desenvolvidos em parceria com diversas entidades, culminando em fóruns de trabalho dirigidos a escolas e municípios.

Na sua intervenção, Isabel Ferreira sublinhou a dimensão ética, cívica e coletiva da educação ambiental, afirmando que o seminário reúne “cidadãos comprometidos com aquilo que o Papa Francisco chama a nossa casa comum, o planeta que partilhamos, mas também o território, as escolas, a comunidade e as relações humanas que nos ligam”. A vereadora destacou ainda o significado simbólico de Guimarães acolher o encontro num ano particularmente relevante, referindo que é “uma honra profunda para o município de Guimarães acolher o Seminário Nacional Eco-Escolas, um espaço de reflexão sobre as políticas de sustentabilidade ambiental em contexto escolar, numa era particularmente significativa para o nosso concelho”.

Enquadrando o papel histórico e identitário do território, Isabel Ferreira lembrou que Guimarães “é berço da nacionalidade, património da humanidade, Capital Verde Europeia em 2026, um concelho com muita história, mas também com uma enorme responsabilidade perante o presente e o futuro”, sublinhando que a sustentabilidade deve ser entendida como uma política transversal, ambiental, social e económica, sustentada por políticas públicas e pela participação ativa das comunidades educativas. Para a autarca, “a escola é um espaço de formação humana, ética e cívica, onde se aprende não apenas a saber, mas a ser e a viver em comunidade, e é nesse lugar que a educação ambiental assume um papel central”.

A vereadora da Educação destacou ainda o papel do Laboratório da Paisagem na definição e implementação das políticas educativas ambientais em Guimarães e felicitou as escolas distinguidas com os Diplomas de Qualidade e Excelência 2025, reconhecendo “o compromisso, a persistência e a capacidade de mobilizar alunos, professores e comunidades”. Sublinhou igualmente a aposta do município em projetos como o orçamento participativo escolar, focado nos espaços exteriores, reforçando que “educar para a sustentabilidade é educar para o cuidado do bem comum e para aquilo que deixaremos às gerações futuras”.

O programa Eco-Escolas, recorde-se, é uma referência internacional na educação para a sustentabilidade, com 29 anos de implementação em Portugal. Em Portugel, Guimarães é concelho com maior número de Eco-Escolas. O programa constitui uma ferramenta para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e para a Greening Education Partnership (GEP), iniciativa da UNESCO. Atualmente está presente em 101 países e, em 2025, envolve mais de 52 mil Eco-Escolas e cerca de 13,7 milhões de estudantes em todo o mundo.

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