Braga suspende implementação de Metrobus no centro e prioriza ligação a Guimarães
A Câmara Municipal de Braga decidiu suspender o arranque do projeto de metrobus (BRT) no centro da cidade e redefinir a sua estratégia de mobilidade, colocando como prioridade a ligação a Guimarães e à futura estação de alta velocidade ferroviária. A decisão foi anunciada pelo presidente da autarquia, João Rodrigues, que defende uma abordagem de escala regional para resolver os problemas de trânsito urbano.

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O projeto inicial previa quatro linhas de metrobus, sendo que apenas a linha vermelha, entre a estação ferroviária de Braga e o Hospital, via Universidade do Minho, dispunha de financiamento garantido do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor de 75,5 milhões de euros. Com os prazos de execução a tornarem-se incompatíveis com a nova visão estratégica do executivo, o município optou por colocar essa linha em pausa.
Em conferência de imprensa, João Rodrigues explicou que a mudança de rumo resulta de uma articulação com o Governo, após uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, da qual saiu o compromisso de avançar com a Circular Rodoviária Externa de Braga, considerada essencial para viabilizar a nova organização da mobilidade.
Eixo Braga – Guimarães como prioridade
Segundo João Rodrigues, o novo modelo de mobilidade deve começar pelo reforço das ligações externas, com destaque para o eixo Braga – Guimarães, que considera estruturante para o desenvolvimento do quadrilátero urbano. A ligação à futura estação de alta velocidade surge integrada nesta lógica, permitindo articular transporte público de elevada capacidade com os novos fluxos regionais.
O presidente da Câmara defendeu que iniciar o metrobus no centro da cidade traria impactos negativos significativos na circulação e na vida urbana, razão pela qual a implementação do BRT deverá ocorrer apenas numa fase posterior.
Com a suspensão da primeira linha, Braga perde o financiamento do PRR associado à obra, embora se mantenha a verba destinada à aquisição dos autocarros. O contrato de adjudicação da empreitada, no valor de 32,6 milhões de euros, tinha sido assinado em outubro de 2025 pelo anterior executivo municipal. João Rodrigues assumiu a decisão como uma opção política legítima, sublinhando que as prioridades do atual mandato diferem das do anterior. “As pessoas escolhem e os executivos decidem. Hoje, a prioridade é resolver os acessos à cidade e as ligações regionais”, afirmou.
Reações divididas
O Partido Socialista de Braga considera positiva a suspensão do metrobus no centro da cidade, mas discorda da utilização do BRT na ligação a Guimarães, defendendo uma solução alternativa baseada no tram-train. Os socialistas criticam ainda a ausência de uma solução concreta para a ligação ao Hospital de Braga.
Já quanto à Circular Rodoviária Externa, o PS manifesta concordância, sublinhando a importância da infraestrutura para retirar tráfego do interior da cidade. O investimento previsto pelo Governo ronda os 80 milhões de euros, estando a primeira fase, entre Frossos e Ferreiros, prevista para conclusão ainda durante o atual mandato.
Recorde-se que, a 13 de janeiro, o Município de Guimarães apresentou o estudo da primeira fase do Metrobus Guimarães – Caldas das Taipas – Avepark, assumindo o compromisso de colocar o projeto em execução até ao final do atual mandato autárquico, em 2029.
O estudo técnico aponta para uma ligação direta entre Guimarães e a futura estação de alta velocidade, com tempo estimado de viagem de 30 minutos. As projeções indicam que, em 2031, a linha poderá servir cerca de 3,25 milhões de passageiros por ano, retirando aproximadamente 48 mil veículos por dia das estradas. O traçado seguirá maioritariamente a EN 101 e será operado por veículos elétricos. O investimento global da primeira fase é estimado entre 80 e 160 milhões de euros, incluindo os troços até às Caldas das Taipas e ao Avepark. A segunda fase, entre Taipas e Braga, está avaliada em cerca de 79 milhões de euros, com conclusão prevista para 2030.
O Professor José Mendes apresentou o projeto do Metrobus no modelo Bus Rapid Transit (BRT), caracterizado por “capacidade, rapidez, regularidade, pontualidade, conforto e operação com veículos elétricos”. O sistema visa reduzir o uso do automóvel individual, diminuir emissões de gases com efeito de estufa e integrar Guimarães numa rede regional de transporte em articulação com a futura alta velocidade ferroviária.





