Executivo municipal revoga projetos herdados. Oposição fala de “falta de ambição e de coerência”

A Câmara Municipal de Guimarães aprovou, na reunião realizada esta segunda-feira, 26 de janeiro, a revogação dos procedimentos relativos à requalificação e ampliação da Escola Secundária Santos Simões, à construção de um novo pavilhão na Escola EB 2,3 João de Meira e à requalificação da Avenida D. João IV. A decisão motivou um dos debates mais acesos da sessão camarária.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

O presidente da autarquia, Ricardo Araújo, justificou a revogação com a necessidade de ajustar os projetos às atuais condições financeiras do município e às prioridades do executivo, assegurando que as obras irão avançar, mas com soluções reformuladas e mais adequadas. Segundo o autarca, a revogação representa “uma etapa necessária para melhorar os projetos” e garantir a sua exequibilidade.

No caso da Escola Secundária Santos Simões, Ricardo Araújo esclareceu que o projeto inicialmente lançado não obteve qualquer financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), tornando inviável a sua execução nas condições atuais. Acrescentou ainda que o projeto previa um pavilhão desportivo sem medidas oficiais para competição, o que considerou inaceitável face a um investimento global estimado em cerca de 17 a 18 milhões de euros.

O presidente garantiu que o executivo está a preparar uma nova candidatura a financiamento, a submeter até ao final de junho, e reafirmou o compromisso de avançar com a requalificação da escola, incluindo um pavilhão com dimensões regulamentares. A expectativa é que o próximo ano letivo já decorra em instalações provisórias durante o período das obras.

Relativamente à Escola João de Meira, o autarca explicou que o procedimento revogado previa a construção de dois pavilhões, num investimento de cerca de 5,5 milhões de euros. O executivo optou por reformular o projeto, reduzindo-o a um pavilhão, de forma faseada, para garantir a sua concretização. Ricardo Araújo sublinhou que se trata de uma obra prometida há mais de 20 anos e que o atual executivo pretende cumprir esse compromisso, evitando o que classificou como “megalomanias”.

Ricardo Araújo aunciou ainda que a escola terá também uma nova Biblioteca, com um custo aproximado de 500 mil euros e não cerca de dois milhões, como estava anteriormente previsto.

Do lado da oposição, o vereador do Partido Socialista, Ricardo Costa, criticou duramente a decisão do executivo, acusando-o de “falta de ambição” e “falta de coerência”. O socialista lembrou que Ricardo Araújo votou favoravelmente estes mesmos projetos enquanto vereador, na anterior composição da Câmara, e que agora, enquanto presidente, promove a sua revogação.

Ricardo Costa defendeu que a Câmara deve assumir riscos em áreas estruturantes como a educação, recordando exemplos de investimentos anteriores, como o da requalificação da Escola de S. Torcato, que avançaram sem financiamento garantido e que, posteriormente, o município conseguiu captar fundos comunitários. Para o vereador do PS, a revogação de concursos lançados representa um atraso significativo na concretização de obras consideradas prioritárias para o concelho.

PUBLICIDADE
Arcol

NOTÍCIAS RELACIONADAS