Ricardo Araújo alerta para “elevada exposição ao risco de incumprimento” do PRR em Guimarães
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, manifestou uma forte preocupação com o risco de incumprimento dos fundos recebidos ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Em declarações aos jornalistas no final da última reunião de Câmara realizada a 26 de janeiro, o autarca alertou que várias obras essenciais têm de ser concluídas até julho de 2026, sob pena de o município ter de devolver as verbas já recebidas, comprometendo não só o orçamento do próximo ano como também os orçamentos futuros da autarquia.

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O autarca explicou que parte das obras financiadas pelo PRR estão em execução com atrasos, diferentemente de outros municípios que já conseguiram concluir os seus projetos. “Ao contrário de outros concelhos que estão, neste momento, a concluir as obras financiadas pelo PRR e até já têm concluídas, Guimarães, infelizmente, está bastante mais exposta ao risco de incumprimento porque o início das obras atrasou-se imenso”, sublinhou.
Entre os projetos em causa estão a requalificação dos Centros de Saúde e a construção da Residência Universitária no AvePark. Ricardo Araújo criticou o Partido Socialista e os executivos anteriores por não terem conseguido executar a principal aposta socialista do PRR em Guimarães, designadamente a via do AvePark, e por terem deixado grande parte das obras para 2026, sobrecarregando o orçamento desse ano.
“Tudo estamos a fazer, nas várias obras, com os empreiteiros e com as nossas equipas técnicas para cumprir as empreitadas dentro dos prazos que estão estabelecidos. Agora, a verdade é que sabemos que temos uma exposição muito grande. Uma grande parte das obras está ainda por concretizar ou a iniciar a sua execução. Isso coloca-nos perante fortes preocupações”, afirmou.
Na reunião de câmara, recorde-se, foi aprovada a revogação da requalificação e ampliação da Escola Santos Simões e a construção do Pavilhão na Escola João de Meira, bem como a requalificação da Avenida D. João IV, que “não é prioritária neste momento, mas poderá ser no futuro”, disse Ricardo Araújo.
Quanto à Escola Secundária Santos Simões: “a requalificação e ampliação da escola estava prevista, mas o financiamento PRR não estava assegurado”, disse o autarca. Ricardo Araújo garantiu que o projeto será reestruturado, incluindo a construção de um pavilhão com medidas oficiais, e que as obras serão acompanhadas por instalações provisórias para os alunos durante a intervenção, já a partir do próximo ano letivo. “Não concebo investir 18 milhões de euros na requalificação desta escola, sendo que cerca de três milhões são para o pavilhão, e depois o pavilhão não ter medidas oficiais. Vamos reestruturar o projeto e lançar oportunamente o procedimento”, explicou.
Relativamente ao Pavilhão da Escola João de Meira, o que estava previsto era a contrução de dois pavilhões no valor de 5,5 milhões de euros, o projeto será reduzido a um único pavilhão para garantir a execução com qualidade dentro do orçamento municipal. “Temos que cumprir compromissos de forma realista. Quem tudo promete, depois nada cumpre. Não podemos entrar em megalomanias”, afirmou.
Já quanto à requalificação da Avenida D. João IV, a obra é considerada de baixa prioridade pelo atual executivo devido ao elevado esforço orçamental necessário e ao baixo financiamento comunitário. Ricardo Araújo considerou que a intervenção poderia criar constrangimentos significativos à população local e não se justifica face às prioridades atuais.
O autarca insistiu na necessidade de gerir cuidadosamente os recursos do município e de priorizar as intervenções financiadas pelo PRR, evitando comprometer futuros orçamentos. “Em caso de incumprimento, já não é só o Orçamento de 2026 que fica comprometido, são também os próximos anos. Por isso estamos a trabalhar com toda a intensidade com os técnicos, as entidades e as empresas que estão no terreno para concluir dentro do prazo. Mas é uma luta difícil”, afirmou.
O presidente da Câmara reforçou que o objetivo é cumprir todos os compromissos assumidos com rigor, mesmo que isso implique ajustes nos projetos ou execução faseada das obras. “Com o presente e com o futuro, nós assumimos compromissos e é para cumprir”, concluiu Ricardo Araújo.





