Epígrafe de Caturo é a peça em destaque na iniciativa “Um Mês, Uma Peça”

A Epígrafe de Caturo, filho de Viriato, é a peça escolhida para destaque no mês de março, no âmbito da iniciativa “Um Mês, Uma Peça 2026”, dinamizada pela Sociedade Martins Sarmento. O elemento, datado do século I d. C., foi descoberto a 3 de setembro de 1880, durante as escavações conduzidas por Francisco Martins Sarmento na acrópole da Citânia de Briteiros, em Guimarães.

© SMS

Trata-se de um bloco de granito com 38 x 48 x 26 centímetros, onde se encontra gravada a inscrição latina “[C]aturo / Viriatis”, identificando Caturo como filho de Viriato. A peça foi encontrada no decorrer da escavação de um dos bairros habitacionais e estaria associada a um conjunto doméstico. Admite-se que tenha integrado uma ombreira ou lintel, podendo assinalar o nome do proprietário na entrada da habitação voltada para a rua principal.

A inscrição, simples e composta apenas por dois nomes próprios, permite compreender como, no século I d. C., as elites locais recorriam já à escrita latina para afirmar identidade e estatuto social. Embora a epígrafe seja desse período, a casa a que estaria ligada será anterior, refletindo um momento de transição em que tradições construtivas indígenas coexistiam com influências romanas.

Esta peça é hoje valorizada não apenas pelo seu significado arqueológico, mas também por constituir um testemunho da identidade das comunidades que habitaram a Citânia de Briteiros, evidenciando as transformações culturais vividas no Noroeste peninsular durante a Antiguidade.

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