Da origem de Portugal à Capital Verde Europeia: Guimarães recebeu António José Seguro
Guimarães recebeu na tarde desta terça-feira, 10 de março, a visita do recém-empossado Presidente da República, António José Seguro, no âmbito do programa de deslocações institucionais que marcam o início do seu mandato. A passagem pela cidade berço incluiu uma visita ao Laboratório da Paisagem, onde o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, sublinhou o significado político e simbólico da escolha de Guimarães como um dos primeiros destinos presidenciais.

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No discurso de receção, Ricardo Araújo destacou que a presença do chefe de Estado ultrapassa o carácter protocolar de uma visita oficial e assume um valor especial por ocorrer no período inaugural do mandato presidencial. “Entre os primeiros lugares que escolheu visitar está Guimarães. Entre os primeiros sinais que entendeu dar ao país está esta deslocação à cidade berço”, afirmou, considerando que o gesto revela atenção ao território e proximidade às comunidades.
O autarca sublinhou que os primeiros gestos de um Presidente da República “revelam prioridades e definem um estilo de presença no país”. Nesse sentido, interpretou a deslocação do chefe de Estado a Guimarães, que em 2026 detém o título de Capital Verde Europeia, como um reconhecimento do papel das cidades na construção do futuro nacional. Segundo Ricardo Araújo, Portugal “faz-se não apenas a partir dos seus centros de decisão, mas também a partir das cidades e concelhos que pensam, trabalham e inovam”.
Durante a intervenção, o presidente da Câmara evocou ainda a memória do escritor António Lobo Antunes, falecido recentemente, recordando uma das suas declarações mais conhecidas: “Quero morrer em Portugal”. Para Ricardo Araújo, essas palavras refletem um “amor exigente” ao país, capaz de reconhecer as suas fragilidades sem abdicar de acreditar no seu futuro.
A receção ao Presidente da República foi também marcada por uma forte evocação histórica. O autarca reforçou a centralidade de Guimarães na formação da identidade nacional, defendendo que a Batalha de São Mamede deve ser reconhecida como o verdadeiro “Dia Um de Portugal”. Segundo afirmou, foi naquele episódio que começou a afirmar-se a vontade política que conduziria ao nascimento do país.
“Quando pronunciamos o nome de Guimarães, não evocamos apenas um lugar do mapa, mas um ponto matricial da nossa consciência nacional”, afirmou Ricardo Araújo, defendendo que a valorização histórica de São Mamede não deve ser encarada como um exercício localista, mas como uma afirmação de alcance nacional.
Neste contexto, o autarca destacou também a importância das comemorações dos 900 anos da batalha, previstas para 2028. Para o município, as celebrações devem constituir uma mobilização nacional em torno da história, da cultura e da reflexão cívica. “Não queremos apenas assinalar uma data. Queremos propor ao país um exercício de elevação”, declarou.
O discurso procurou ainda ligar essa herança histórica aos desafios contemporâneos da cidade. Ricardo Araújo salientou que Guimarães conjuga a responsabilidade de preservar a origem histórica de Portugal com a ambição de construir soluções para o futuro, sublinhando o papel da cidade como Capital Verde Europeia em 2026.
Nesse sentido, o autarca destacou o trabalho desenvolvido no Laboratório da Paisagem, apontando-o como exemplo de uma política pública baseada no conhecimento e na sustentabilidade. “Aqui, a política pública ganha método e a cidade aprende a olhar-se com maior profundidade”, afirmou.
Segundo Ricardo Araújo, o título de Capital Verde Europeia deve traduzir-se em benefícios concretos para os cidadãos, com impacto em áreas como mobilidade, habitação, coesão social e qualidade do espaço urbano. “A sustentabilidade não pode ser apenas um adorno discursivo. Tem de ser uma política transversal de bem comum”, afirmou.
O autarca garantiu ainda que o objetivo de Guimarães é fazer de 2026 “a melhor Capital Verde Europeia de sempre”, mobilizando instituições, empresas e cidadãos num projeto coletivo de transformação ambiental e social.
Na parte final da intervenção, Ricardo Araújo destacou que Guimarães procura afirmar-se como um território capaz de transformar a sua herança histórica em projeto de futuro. “O que distingue os territórios com consciência histórica é a capacidade de converter herança em projeto”, afirmou.
A visita de António José Seguro terminou com uma mensagem de cooperação institucional entre o poder local e as instituições nacionais. O presidente da Câmara sublinhou a importância de uma Presidência da República atenta aos territórios e disponível para valorizar iniciativas com impacto nacional.
“Recebemo-lo como cidade fundadora, mas também como comunidade viva; como lugar de memória, mas também como território de inovação”, concluiu Ricardo Araújo, desejando que a deslocação presidencial a Guimarães fique marcada como um momento de encontro entre a história e o futuro do país.





