“Entre Faces e Cores” promove diálogo intercultural em Guimarães até 14 de abril
A exposição coletiva “Entre Faces e Cores” está patente ao público em Guimarães até à próxima terça-feira, 14 de abril, desafiando os visitantes a mergulharem numa reflexão sobre identidade, emoção e diversidade cultural através da arte. A iniciativa integra a programação da Semana da Interculturalidade, que decorre entre os dias 7 e 14 de abril.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
Organizada pela África Minha – Associação Africana de Guimarães, em parceria com a Associação Familiar Vimaranense, a mostra pode ser visitada no auditório desta última, entre as 9h00 e as 12h30 e das 14h00 às 18h30. Com entrada livre, a exposição reúne obras de vários artistas de diferentes origens, promovendo um diálogo visual entre culturas e experiências distintas.
Entre os nomes presentes estão Paula Berteotti, Cloé, Alfredo Uetela Chirindze, Simbraz, Wayame Naledy e Gudes Raul Tsane, num conjunto que evidencia diferentes estilos, técnicas e abordagens artísticas. A diversidade é, de resto, uma das marcas mais fortes da exposição, onde convivem influências de países como Angola e Moçambique, bem como percursos pessoais marcados pela diáspora.
Catarina Alves, da organização, explica que a iniciativa surgiu a partir de um desafio lançado pela Rede Europeia Anti-Pobreza, no âmbito da Semana da Interculturalidade. “Quando nos foi lançado o repto da interculturalidade, pensamos em pegar na arte, que é a nossa área de atuação, e mostrar o trabalho de artistas africanos. Inicialmente pensámos numa artista, mas rapidamente percebemos que fazia mais sentido alargar e trazer mais criadores”, refere.

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O resultado, acrescenta, é uma exposição “de contrastes, mas com uma junção muito interessante”, onde se evidencia a ligação às raízes africanas mesmo entre artistas que atualmente residem em Portugal. “Há aqui uma sintonia muito forte entre Angola e Moçambique. Mesmo estando cá, os artistas vão buscar muita da inspiração às suas origens”, sublinha.
Entre os destaques está o trabalho de Cloé, artista natural de Fafe, mas com vivências em Luanda e em Moçambique, cujas obras refletem fortemente essas influências. Também presente está uma jovem artista angolana, estudante na Universidade de Aveiro, que apresenta retratos de figuras como Messi e Cristiano Ronaldo, explorando cores quentes associadas ao continente africano.
Para além da vertente artística, a exposição assume também um papel social, ao procurar dar visibilidade a comunidades frequentemente marginalizadas. Catarina reconhece que ainda existem desafios na integração da população migrante africana. “Há pessoas que vêm à procura de melhores condições de vida e acabam por enfrentar dificuldades, nomeadamente no acesso ao emprego”, explica, dando relatos de alguma discriminação.

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Nesse sentido, iniciativas como esta pretendem não só valorizar a cultura, mas também promover a inclusão. “Se conseguirmos proporcionar atividades que façam estas pessoas sentir-se integradas, isso é muito importante. E também é fundamental envolver a comunidade vimaranense”, acrescenta.
A programação da Semana da Interculturalidade inclui ainda o workshop “Ritmos Quentes – Danças Africanas”, marcado para este sábado, no mesmo espaço, proporcionando uma experiência participativa centrada na música e na dança.
Paralelamente, a associação continua a desenvolver outras iniciativas ao longo do ano, como a já habitual festa intercultural, agendada para 30 de maio, que contará com gastronomia, artesanato, música e um desfile de trajes africanos, no Largo Condessa do Juncal.
“É importante que existam espaços onde possamos partilhar aquilo que fazemos”
Entre os artistas presentes na exposição, Paula Berteotti destaca-se pelo seu percurso e pela ligação à arte de inspiração africana. A artista luso-angolana, que já expôs anteriormente em Guimarães, apresenta agora seis obras de pintura, algumas com relevo, explorando a identidade africana.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
“Comecei a pintar ainda em criança, mas só mais tarde pude dedicar-me verdadeiramente à arte. É um processo de aprendizagem contínua”, refere. Paula tem também trabalhado em projetos inclusivos, criando peças táteis destinadas a pessoas com deficiência visual. “A arte também pode ser sentida através do toque, permitindo novas experiências a quem não vê”, explica.
Sobre a sua participação na exposição, a artista considera a iniciativa “muito positiva”, destacando a importância de criar oportunidades para os artistas mostrarem o seu trabalho. “É importante que existam espaços onde possamos partilhar aquilo que fazemos”, afirma.
“Entre Faces e Cores” assume-se, assim, como um ponto de encontro entre culturas, gerações e expressões artísticas, reforçando o papel da arte como veículo de diálogo, inclusão e partilha numa sociedade cada vez mais diversa.





