Obrigado por tanto, Salgado Almeida!

A partida de Salgado Almeida deixa um vazio difícil de preencher, não apenas entre aqueles que lhe eram mais próximos, mas em toda a comunidade que, de uma forma ou de outra, foi tocada pela sua forma de estar na vida. Falar dele é falar de dedicação genuína à causa pública, de um sentido de missão que não se proclamava, vivia-se, todos os dias, nos gestos simples e nas decisões consistentes.

© Eliseu Sampaio

Num tempo em que tantas vezes o interesse individual se sobrepõe ao coletivo, Salgado Almeida foi um exemplo raro de alguém que colocava o bem comum acima de tudo. Fê-lo com discrição, sem necessidade de reconhecimento, guiado por uma convicção profunda de que servir os outros é, em si mesmo, o maior propósito. A sua disponibilidade era constante, quase natural, como se nunca houvesse esforço em estar presente, em ouvir, em ajudar.

O seu altruísmo não era circunstancial, era estrutural. Estava na forma como se relacionava, na atenção que dedicava aos outros, na capacidade de se envolver genuinamente com as pessoas e com as causas. Tinha um olhar atento sobre a comunidade e uma vontade firme de contribuir para a melhorar, sem esperar nada em troca.

Mas seria redutor falar apenas do homem público. Salgado Almeida viveu rodeado de amigos, cultivando relações sólidas, feitas de lealdade, respeito e partilha. Sabia estar, sabia ouvir, sabia rir, e essa dimensão humana, tantas vezes invisível para quem olha de fora, é talvez uma das suas maiores heranças.

Tive o privilégio, e a honra, de ser um desses amigos. E é dessa proximidade que nasce este reconhecimento, não formal, mas sentido. Porque mais do que as funções que desempenhou ou os contributos que deixou, fica a memória de um homem íntegro, disponível e profundamente humano.

Como cartoonista do jornal Mais Guimarães, assinava desde a primeira edição, e foram mais de 500 em dez anos, uma tira na última página, onde se destacava pelo humor e mestria que lhe eram reconhecidos. Nos últimos meses, esse espaço permaneceu em branco, numa espera simbólica pela recuperação da sua saúde.

Num mundo que precisa de referências, Salgado Almeida foi uma delas. E continuará a ser, na memória de todos os que com ele cruzaram caminho.

À família enlutada, a direção do Mais Guimarães apresenta as mais sentidas condolências.

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