Rede Energy Cities: Cidade berço acolhe líderes europeus para discutir futuro climático
O Fórum Anual da Energy Cities reúne em Guimarães, até esta quinta-feira, 30 de abril, cerca de 300 representantes de cidades europeias num encontro marcado pela partilha de conhecimento, debate político e contacto com o território. A iniciativa decorre no contexto em que a cidade se afirma como futura Capital Verde Europeia 2026, reforçando o seu posicionamento como referência nas políticas de sustentabilidade urbana.

© Laboratório da Paisagem
A sessão de abertura deu o tom para os dias seguintes, combinando temas estruturais como a habitação acessível, a transição energética e o papel das redes europeias de cidades com momentos de convívio e valorização da gastronomia local. Num ambiente de proximidade e cooperação, os participantes foram desafiados a pensar soluções concretas para cidades mais sustentáveis, inclusivas e resilientes.
O segundo dia do fórum ficou marcado por uma sessão plenária no Teatro Jordão, onde a democracia local esteve no centro do debate. A reflexão incidiu sobre o papel das autarquias enquanto motores de transformação, sublinhando a importância de uma governação exercida com coragem, criatividade e compromisso com as comunidades. As intervenções de Luís Almeida Capão e de Mohamed Ridouani, presidente da Energy Cities, destacaram a necessidade de reforçar a participação cidadã e a proximidade na tomada de decisões.
Após a sessão, os participantes foram convidados a sair das salas de conferência e a explorar a cidade, a pé e através de transporte público elétrico, numa abordagem que levou o debate para o terreno. Sob o mote “The Seed: building climate governance from the ground up”, várias jornadas temáticas mostraram como a governação climática se constrói a partir da escala local.
Uma das vertentes em destaque foi o papel das autarquias no apoio à transformação sustentável das empresas e da indústria. Foram discutidos exemplos concretos que vão desde a descarbonização dos transportes públicos até soluções de aquecimento urbano mais eficientes, passando por novos modelos de negócio alinhados com os objetivos climáticos. A ideia central é clara: a transição energética exige articulação entre setor público, privado e comunidade.
A habitação acessível e sustentável foi outro dos temas centrais do fórum. Cidades, organizações e parceiros europeus debateram formas de garantir que a transição energética não agrava desigualdades, apostando em soluções que combinam eficiência energética com inclusão social. Entre as propostas discutidas estiveram a contratação pública inteligente, soluções baseadas na natureza e os princípios da Nova Bauhaus Europeia, que promovem uma abordagem integrada entre sustentabilidade, estética e inclusão.
Também a descarbonização do aquecimento e arrefecimento urbano esteve em análise, numa sessão que teve lugar na Academia de Ginástica, apontada como exemplo local de boas práticas. Neste contexto, destacou-se a importância da regulação, da liderança política e do envolvimento comunitário como fatores decisivos para acelerar a transição para cidades livres de combustíveis fósseis.
A dimensão social da transição energética foi igualmente enfatizada. Os participantes refletiram sobre como garantir que este processo é justo e inclusivo, envolvendo comunidades vulneráveis e combatendo a pobreza energética. A mensagem transversal foi a de que ninguém deve ficar para trás, sendo essencial criar políticas que assegurem o acesso equitativo a soluções energéticas sustentáveis.
Outro dos momentos marcantes levou os participantes até à Horta Pedagógica de Guimarães, onde se discutiu a importância da autonomia alimentar e da construção de sistemas locais mais resilientes. A ligação entre comunidades de energia, coesão social e economia local foi sublinhada como um dos pilares para enfrentar os desafios das alterações climáticas e das cadeias de abastecimento globais.
Paralelamente ao fórum, foi também anunciado que Guimarães irá receber, em 2026, o Fórum do Ambiente da Eurocities, reforçando o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido pelo município. O presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, destacou que esta escolha representa não apenas a realização de um evento, mas o reconhecimento de um percurso assente na inovação, participação comunitária e compromisso com a sustentabilidade.
Desde a adesão à rede Eurocities, em 2015, Guimarães tem vindo a consolidar a sua posição no panorama europeu, assumindo funções de liderança em áreas como a biodiversidade, a economia circular e a resiliência climática. Este percurso tem sido sustentado por políticas públicas consistentes e por uma estratégia clara de transição ambiental.
O Fórum Anual da Energy Cities continua até 30 de abril, afirmando-se como um espaço privilegiado para a construção de soluções coletivas e para o reforço da cooperação entre cidades europeias.





