Grupo Versa prepara investimento de 70 milhões em saúde, energia e inovação
O empresário Daniel Carvalho, fundador do grupo Versa, vendeu uma rede de cerca de 60 postos de combustível à PRIO Energy por aproximadamente 40 milhões de euros, numa operação realizada quando a empresa ainda operava sob a marca Q8 e integrava o Grupo Vapo. O negócio marcou o fim de um ciclo de mais de uma década no setor energético e abriu caminho para uma nova estratégia empresarial centrada na saúde, sustentabilidade e inovação.

© Daniel Carvalho
Em declarações ao Jornal Económico, Daniel Carvalho explica que a decisão de alienar o negócio surgiu numa fase de maturidade da operação. “Era o momento certo para sair. O negócio estava consolidado e eu precisava de tempo e capital para a próxima fase”, afirma.
Com a liquidez obtida na operação, o empresário está agora a liderar um novo ciclo através do grupo Versa, que prevê investir cerca de 70 milhões de euros nos próximos cinco anos. Entre os principais projetos está a construção de um hospital em Amares, Braga, num investimento estimado em 9 milhões de euros, cuja conclusão está prevista para o início de 2027.
“Queremos fazer diferente. Hoje, muitas vezes, o utente é tratado como um número. Queremos proximidade e acompanhamento”, referiu ao Jornal Económico Daniel Carvalho, acrescentando que o objetivo passa por criar “um modelo de prestação de cuidados” diferenciador.
O percurso empresarial do fundador da Versa começou longe da saúde. Antes de entrar no setor energético, desenvolveu atividade na produção de pellets, transformando desperdício industrial em produto final numa altura em que o mercado ainda dava os primeiros passos em Portugal.
A transição para os combustíveis começou através da intermediação de compras, sobretudo em Espanha, aproveitando as oscilações de preços entre os mercados ibéricos. Esse conhecimento acabaria por dar origem a uma rede própria de postos de abastecimento, que cresceu até cerca de 60 localizações, todas geridas diretamente. Num setor dominado por grandes operadores, a estratégia assentou na capacidade de execução e consistência operacional.
“Sabíamos que não podíamos competir em escala. Competimos na execução”, afirma. Segundo o empresário, a confiança dos clientes foi conquistada através da estabilidade no abastecimento e da redução da volatilidade nos preços. “Nunca falhámos abastecimentos, mesmo nos momentos mais difíceis, e evitámos oscilações bruscas de preço.”
A venda da operação à PRIO incluiu a transição de cerca de 300 trabalhadores. Parte relevante do encaixe financeiro foi utilizada para amortizar responsabilidades bancárias.
Atualmente, o grupo Versa emprega cerca de 70 pessoas e reúne empresas como a Imoversa, Algotípico, MomaLiving, Nossa Energia, Versa Saúde, Piko Studios, Master Ferro e LRC.
Além da área da saúde, o grupo está também a desenvolver projetos ligados à inovação industrial e novos materiais para construção. “Se conseguirmos reduzir custos e emissões, estaremos a criar uma vantagem real num setor muito competitivo”, afirma.
A sustentabilidade surge como eixo transversal da estratégia do grupo. “Quem não integrar a sustentabilidade no modelo de negócio vai ficar para trás”, defende o empresário.
Nos próximos três anos, a ambição passa por atingir os 100 milhões de euros de faturação. “Mais do que o número, interessa-nos a qualidade do crescimento”, concluiu na entrevista Daniel Carvalho.





