Metrobus avança no Quadrilátero: Guimarães, Braga e Famalicão alinhados com o Governo
A discussão em torno do futuro da mobilidade no Minho voltou a marcar a reunião do executivo municipal de Guimarães desta segunda-feira, 25 de maio, com o modelo de transporte a adotar para reforçar as ligações para o principais concelhos da região a gerar o confronto político entre o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, e o vereador socialista Ricardo Costa.

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O debate surgiu na sequência da notícia de que a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão pretendia avançar com uma ligação por metrobus entre Famalicão e Guimarães, defendendo junto do Governo que o investimento seja considerado “prioritário e estratégico” para a região.
A posição da autarquia famalicense, liderada por Mário Passos, reforça a crescente aposta de vários municípios minhotos nesta solução de transporte coletivo, numa altura em que também Braga redefiniu a sua estratégia de mobilidade para privilegiar as ligações regionais, nomeadamente ao eixo Braga – Guimarães.
Ricardo Araújo considera Metrobus a melhor solução para a região
Ricardo Araújo saudou o posicionamento assumido por Vila Nova de Famalicão e considerou que a adesão crescente dos municípios minhotos confirma a validade da estratégia que tem vindo a defender. “Essa foi sempre a solução que eu defendi, a ligação do MetroBus de Guimarães a Braga, e fico muito satisfeito que Famalicão também esteja alinhada com esta estratégia”, declarou.

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Para o presidente da Câmara de Guimarães, a prioridade passa por garantir um sistema de transporte público com qualidade, conforto e corredores dedicados, considerando o Metrobus a resposta mais adequada às necessidades atuais da região. “É a prova de que esta solução do MetroBus era a melhor solução para a região e é a solução que está a ser articulada e consensualizada entre os autarcas da região e o Governo”, afirmou.
Questionado sobre se esta seria apenas a solução financeiramente possível no atual contexto orçamental, Ricardo Araújo rejeitou essa interpretação. “É a melhor solução. Foi sempre o que eu defendi. Tem Braga a defender, tem Famalicão a defender, existe uma articulação dos presidentes de Câmara desta região com o Governo e esta é a melhor solução para o futuro”, sustentou.
Para Ricardo Araújo, o momento atual exige sobretudo execução dos projetos já definidos.
“O tempo da discussão, da reflexão e do debate sobre as opções de mobilidade na região já foi. Agora é executar”, declarou o Presidente da Câmara Municipal.
Numa crítica direta à oposição socialista, acrescentou que Ricardo Costa “continua a falar do passado”, enquanto o executivo municipal está concentrado em resolver problemas concretos dos cidadãos. “O vereador da oposição continua a falar do passado. Fica a falar sozinho da minha parte. Eu estou preocupado em resolver os problemas dos vimaranenses”, afirmou.
Ricardo Costa rejeita Metrobus e reclama metro de superfície
O vereador socialista voltou a manifestar a sua oposição à opção Metrobus, defendendo que o Minho deve lutar por uma solução ferroviária de maior capacidade e alcance territorial. “Eu espero bem que nós, mais cedo do que tarde, possamos perceber que essa não é a solução”, afirmou o vereador socialista, considerando que a região continua a ser preterida nos grandes investimentos nacionais em matéria de infraestruturas.

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Para Ricardo Costa, o problema reside na ausência de investimentos estruturantes para o distrito de Braga. “Nós temos passado ao lado de todos os grandes investimentos deste país”, declarou.
O vereador argumentou que o distrito de Braga possui um peso económico e exportador que justificaria uma aposta de dimensão semelhante à realizada noutras áreas metropolitanas. “Nós não queremos esmolas deste país, deste Governo. Nós queremos uma solução de mobilidade que junte e agregue o quadrado urbano. Que junte Famalicão, Barcelos, Guimarães e Braga por metro de superfície”, defendeu.
Segundo Ricardo Costa, uma rede ferroviária ligeira permitiria criar uma solução moderna e duradoura, capaz de promover uma organização mais equilibrada do território e reduzir a dependência do automóvel. “Este é o meio de transporte adequado, porque traz modernidade, traz inovação e traz soluções duradouras e de futuro”, sustentou.
O socialista considerou ainda que o Metrobus representa apenas uma alternativa mais barata, sem capacidade para resolver os problemas estruturais da mobilidade regional. “O MetroBus não resolve nenhum dos nossos problemas. Fala-se do MetroBus porque é uma solução mais barata, mas vai ficar bem pior do que aquilo que temos”, afirmou.
O vereador recordou igualmente que, em 2020, propôs a criação de uma Área Metropolitana do Baixo Minho, ideia que diz ter sido alvo de críticas na altura, mas que hoje encontra eco no debate regional. “Seis anos depois, o que se discute é precisamente a constituição de uma área metropolitana do Minho. É fundamental para termos força política e financeira”, argumentou.
Ricardo Costa defendeu ainda uma mobilização política regional para exigir do Governo investimentos equivalentes aos realizados noutras zonas do país. “Não podemos aceitar que gastem mais de 800 milhões de euros para ligar Gaia ao Porto e não possam gastar mil milhões de euros para ligar quatro das cidades mais importantes e exportadoras deste país”, afirmou.
Famalicão quer ligação prioritária a Guimarães
A polémica ganha relevância depois de a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão ter confirmado a intenção de avançar com um projeto de Metrobus para ligar Famalicão a Guimarães.

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O tema foi discutido na passada semana numa reunião entre o presidente da autarquia famalicense, Mário Passos, e o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. Em comunicado, Mário Passos justificou a proposta com a crescente pressão sobre aquele corredor rodoviário, um dos mais movimentados do Norte do país.
“Torna-se cada vez mais evidente a necessidade deste investimento no corredor Famalicão – Guimarães, que apresenta características demográficas, económicas e territoriais que justificam plenamente esta solução de transporte coletivo moderno, eficiente e sustentável”, afirmou.
O autarca salientou ainda que a ligação deverá ser enquadrada numa visão regional mais ampla, articulando diferentes sistemas de transporte e reforçando a competitividade económica do território.
Braga redefiniu estratégia e aposta em ligações regionais
O reforço das ligações entre os principais centros urbanos do Minho ganhou nova dimensão no início do ano, quando a Câmara Municipal de Braga anunciou a suspensão da implementação da primeira linha de Metrobus no centro da cidade.
O executivo liderado por João Rodrigues decidiu reorientar a estratégia de mobilidade para uma escala regional, elegendo como prioridades a ligação a Guimarães e a futura estação ferroviária de alta velocidade. A decisão implicou a perda do financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência associado à obra urbana inicialmente prevista, embora tenha sido mantida a verba destinada à aquisição dos veículos.
Enquanto o atual executivo bracarense considera o Metrobus uma solução adequada para as ligações regionais, o Partido Socialista de Braga tem defendido uma alternativa baseada num sistema tram-train, aproximando-se das posições agora reiteradas por Ricardo Costa em Guimarães.





