Protocolo permite ao Arquivo Municipal tornar-se guardião da história jornalística de Guimarães

O Município de Guimarães assinou esta quinta-feira, 11 de junho, protocolos com os órgãos de comunicação social do concelho, que passam a disponibilizar o seu acervo jornalístico, incluindo conteúdos digitais, para a hemeroteca do Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, garantindo que a memória da imprensa local não se perde na era digital.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Os acordos asseguram a preservação das publicações dos órgãos de comunicação social, integrando-os no património documental custodiado pelo Arquivo Municipal.

Na cerimónia, a Vereadora da Educação, Cultura e Turismo, Isabel Ferreira, sublinhou o alcance do momento: “Há atos institucionais cuja importância transcende o seu objeto imediato. A assinatura deste protocolo é um desses momentos. Aquilo que verdadeiramente hoje celebramos é algo mais profundo: a afirmação de um compromisso coletivo com a memória, com o conhecimento e com a responsabilidade que temos perante aqueles que virão depois de nós.”

Para a vereadora, o protocolo representa o reconhecimento de que o património documental do século XXI não se encontra apenas nos livros, nos manuscritos ou nos arquivos tradicionais: “Encontra-se também nos jornais digitais, nos portais de informação, nas reportagens, nas entrevistas e nos registos quotidianos que documentam a vida da nossa comunidade.”

Isabel Ferreira alertou para um dos paradoxos da era digital: “Nunca produzimos tanta informação. Nunca comunicámos com tanta rapidez. E, paradoxalmente, nunca o esquecimento foi uma ameaça tão real.” A vereadora explicou que a ilusão de permanência que a tecnologia cria pode ser enganosa: uma plataforma desaparece, um sítio eletrónico deixa de existir, um formato torna-se obsoleto, um servidor falha e uma parte da memória coletiva pode perder-se irremediavelmente.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

A responsável destacou também o papel da imprensa local: “Os jornais locais são muito mais do que instrumentos de informação. São testemunhos permanentes da vida coletiva. São espaços de debate democrático. São lugares onde uma comunidade se observa, se questiona e se reconhece. Nas suas páginas encontramos os grandes acontecimentos, mas também os pequenos sinais do quotidiano que, muitas vezes, acabam por revelar a verdadeira identidade de um território.”

A vereadora evocou a figura que dá nome ao arquivo, salientando que, independentemente das diferentes leituras que possam ser feitas da obra e da trajetória intelectual de Alfredo Pimenta, há um legado que permanece incontestado: “A convicção de que uma comunidade sem memória é uma comunidade privada de uma parte essencial da sua identidade. Alfredo Pimenta sabia que a memória não é um fenómeno espontâneo. A memória exige instituições. Exige método. Exige rigor. Exige a consciência de que aquilo que hoje parece banal pode revelar-se decisivo para compreender uma época.”

O Mais Guimarães é um dos órgãos de comunicação social signatários do protocolo. Eliseu Sampaio, fundador e diretor do Grupo de Comunicação, considerou o acordo um reforço da responsabilidade perante a comunidade: “O que hoje escrevemos torna-se memória futura. As notícias, reportagens e testemunhos que registamos constituirão, amanhã, fontes essenciais para compreender o nosso tempo.”

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Fundado em 2013, o Mais Guimarães tem pautado a sua atuação pelo “rigor, independência e pluralidade”, vincou o responsável. Eliseu Sampaio sublinhou o papel insubstituível da comunicação social de proximidade: “É através da proximidade com as pessoas, com as instituições e com a realidade de cada rua e de cada freguesia que se constrói uma informação verdadeiramente relevante para os cidadãos.”

Eliseu Sampaio deixou também uma nota sobre o contributo do Mais Guimarães para a democracia local: “Acreditamos ter contribuído, desde o nosso nascimento, para o fortalecimento da democracia local, promovendo o debate público informado e acompanhando os principais desafios e conquistas do concelho de Guimarães. Porque acreditamos que quanto mais forte for a comunicação social local, mais forte será o território que serve.”

Num tempo “particularmente exigente” para os órgãos de comunicação social, marcado por desafios económicos e pela rápida transformação dos hábitos de consumo de informação, “temos sabido ultrapassar as dificuldades sem abdicar daquilo que nos distingue: a confiança dos leitores. E essa confiança conquista-se diariamente através de um trabalho sério, rigoroso, independente e plural”, terminou o diretor do Mais Guimarães, um dos signatários do protocolo.

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