Comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede marca reunião do Executivo Municipal

A redefinição das comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede para um programa mais abrangente, dedicado aos 900 anos da Fundação de Portugal, marcou o debate na reunião do executivo municipal de Guimarães, com posições divergentes entre a vereadora do Partido Socialista, Gabriela Nunes, e o presidente da Câmara, Ricardo Araújo.

© CMG

A socialista manifestou preocupação com a alteração introduzida pelo Governo, considerando que Guimarães perde protagonismo no processo. Na reunião, defendeu que o concelho “perdeu a centralidade”, lembrando que, desde 2022, vinha a ser preparado um programa centrado na Batalha de São Mamede, assente numa forte componente científica e académica, apoiado por uma Comissão de Honra e por uma Comissão Científica.

Gabriela Nunes criticou igualmente o novo modelo de governação das comemorações, sustentando que o município deixa de assumir um papel executivo e passa a integrar uma estrutura nacional onde “fica com um lugar pequeno numa mesa grande”. A vereadora questionou ainda as razões que levaram o Governo a substituir a resolução aprovada em fevereiro por uma nova resolução em julho, considerando que a decisão altera de forma significativa o projeto inicialmente definido e pode desvalorizar o trabalho desenvolvido em Guimarães.

Nas declarações prestadas aos jornalistas após a reunião, a autarca afirmou que o município “merecia ser defendido junto do Governo”, defendendo que as comemorações já tinham uma dimensão nacional e receando que a nova organização possa diluir a importância histórica da Batalha de São Mamede.

Ricardo Araújo: “O meu papel é elevar Guimarães”

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal rejeitou as críticas e recusou a ideia de que Guimarães tenha perdido influência. Ricardo Araújo afirmou que o seu objetivo é garantir que as celebrações tenham verdadeira projeção nacional, sem colocar em causa o trabalho que o município tem vindo a desenvolver.

“O meu papel é elevar Guimarães, fortalecer Guimarães e contribuir para que os 900 anos da Batalha de São Mamede sejam comemorados de forma condigna”, afirmou. O autarca garantiu que o programa próprio de Guimarães continuará a avançar, mantendo a Comissão Científica e o trabalho iniciado nos últimos anos, em articulação com o Comissariado Nacional criado pelo Governo.

Ricardo Araújo destacou ainda que a escolha de Guimarães para a apresentação oficial das comemorações pelo Primeiro-Ministro demonstra o reconhecimento da importância da cidade na história da fundação do país. “Quero que sejam celebrações nacionais, a partir de Guimarães para Portugal. Não quero que sejam apenas celebrações locais”, reiterou.

O presidente revelou também estar em contacto com o Governo e com o comissário nacional das comemorações, Paulo Portas, mostrando-se confiante de que Guimarães terá um papel determinante no programa que será apresentado nos próximos meses.

Quanto às críticas de que o município perdeu peso na nova estrutura, Ricardo Araújo respondeu que “Guimarães não só está à mesa como sabe estar à mesa”, assegurando que o concelho continuará a fazer ouvir a sua voz e a liderar o trabalho relacionado com os 900 anos da Batalha de São Mamede.

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