Resiste.UM leva estudantes à rua em Gualtar contra o aumento dos preços dos quartos e o agravamento dos custos do Ensino Superior
O movimento Resiste.UM realiza esta quarta-feira, 21 de outubro, uma grande manifestação no campus de Gualtar, da Universidade do Minho, com concentração às 13h00 em frente ao Prometeu e percurso até aos Serviços de Ação Social (SASUM). A organização espera mais de uma centena de estudantes, número que ainda pode crescer até à data.

@ Resiste.UM
A ação surge em resposta ao agravamento dos custos de estudar no Ensino Superior e aos crescentes ataques que, segundo o movimento, procuram a sua elitização e privatização. Entre as principais reivindicações está o reforço da Ação Social, contra o aumento dos preços dos quartos nas residências públicas, os cortes nas bolsas previstos para o próximo ano letivo e o aumento da propina anunciado no Orçamento do Estado para 2027, defendendo a gratuitidade.
No centro do protesto está o aumento do teto máximo dos quartos nas residências públicas, decorrente da Revisão dos Princípios da Ação Social Escolar. Segundo os estudantes, uma cama num quarto duplo passa de 91,44 euros no ano passado para 161,14 euros por mês para um bolseiro, um aumento de quase 70 euros. Os estudantes denunciam ainda que, na Universidade do Minho, os valores praticados por uma cama em quarto individual ultrapassam o limite fixado pelo Decreto-Lei n.º 148/2026, que estabelece o preço máximo cobrado a bolseiros em 30% do valor do indexante dos apoios sociais, ou seja, 161,14 euros. Os valores situam-se entre os 185 e os 190 euros nas residências de Santa Tecla e de Azurém, nos 190 euros na Residência Prof. Lloyd Braga e nos 200 euros na Residência da Fábrica Confiança.
O abaixo-assinado “Por quartos acessíveis, reverter o aumento dos preços”, que será entregue no final da manifestação, reuniu já mais de 1000 assinaturas em duas semanas. Os signatários exigem a garantia de que nenhum bolseiro pagará por uma cama numa residência pública valor superior ao previsto no decreto e que os bolseiros já penalizados por cobranças excessivas sejam compensados. O documento aponta também o incumprimento do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior, que deixa milhares de estudantes sem cama numa residência pública, e a degradação das existentes. Nas residências da UMinho, referem elevadores frequentemente avariados, ausência de isolamento térmico ou ventilação, tetos e paredes com humidade e rachaduras, falta de água quente, janelas partidas, portas que não fecham e equipamentos de cozinha insuficientes, com blocos de mais de 300 estudantes dependentes de uma única placa elétrica.
Ao longo das últimas semanas, os estudantes que lançaram o movimento identificaram, no contacto com colegas da Academia Minhota, um descontentamento generalizado perante as medidas dirigidas aos estudantes do Ensino Superior. Para o Resiste.UM, estudar não pode tornar-se cada vez mais um privilégio, e a luta por um ensino superior acessível diz respeito a todos. O movimento apela a todos os estudantes, associações e núcleos da Universidade do Minho para que se juntem à manifestação, sublinhando que é com a participação de todos que será possível defender os direitos dos estudantes.





