Encerramento do Mês da Economia em Guimarães: Ricardo Araújo propõe grande área empresarial no Vale do Ave e “pacto de inovação” para combater salários baixos
A Câmara Municipal de Guimarães quer criar, em conjunto com outros concelhos, nomeadamente Vila Nova de Famalicão, uma área empresarial de dimensão considerável no Vale do Ave, capaz de atrair investimento e permitir a expansão das empresas. A proposta foi apresentada por Ricardo Araújo no encerramento da 4.ª edição do Mês da Economia de Guimarães, que decorreu esta quarta-feira, no Paço dos Duques, durante o encontro “Guimarães: O Futuro Económico Fora dos Grandes Centros”, promovido pelo ECO e pela Câmara.

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O autarca traçou o retrato económico do concelho. Cerca de 43% do emprego continua concentrado em setores de tradição industrial, como o têxtil, o calçado, a metalomecânica e a construção. Estes setores exportam cerca de 1.500 milhões de euros por ano, e o têxtil pesa hoje cerca de 55% do total, contra cerca de 65% há uma década. Para Ricardo Araújo, a descida mostra que a diversificação do tecido empresarial já está em curso. Os indicadores salariais e de produtividade preocupam o presidente. O salário médio ronda 80% da média nacional e fica também abaixo da média regional. Segundo disse, não só não houve recuperação na última década como a situação se agravou. A produtividade fica em cerca de 82% da média do país. Há, porém, um sinal contraditório: o investimento por pessoa em investigação e desenvolvimento no concelho está acima da média nacional, mas o contributo das empresas para esse esforço fica abaixo.
Foi para aprofundar este diagnóstico que o atual executivo encomendou, como uma das primeiras medidas, um estudo sobre o desenvolvimento económico do concelho, que deverá orientar a nova política económica municipal.
Aproximar a academia das empresas
O primeiro eixo apontado é aproximar a universidade e os 12 ou 13 laboratórios de investigação e desenvolvimento de topo internacional do tecido empresarial. Isso permitirá às empresas dos setores tradicionais incorporar inovação, subir na cadeia de valor e explorar setores adjacentes, como a defesa, que exige tecnologia e permite acrescentar valor aos produtos. O autarca defendeu que o concelho não tem falta de ativos, mas de coordenação, e que o município pode criar um contexto facilitador sem se substituir às empresas.

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Solo, atração de investimento e empreendedorismo
O segundo eixo é atrair investimento para novos setores, o que exige solo disponível. A revisão do Plano Diretor Municipal já foi aprovada nos órgãos autárquicos e aguarda publicação em Diário da República. Aumenta de forma considerável o solo para instalação industrial, com cerca de 13 Unidades Operativas de Planeamento e Gestão dedicadas a atividades económicas. O terceiro eixo é o empreendedorismo e a retenção de talento. Ricardo Araújo anunciou que o município trabalha, à escala regional e com entidades nacionais, na criação de um fundo para apoiar e alavancar novos negócios e startups. A estas três frentes junta-se uma nova estrutura municipal dedicada ao desenvolvimento económico, com uma equipa multidisciplinar para apoiar o crescimento das empresas e a captação de investimento. O objetivo é chegar a um “pacto de inovação” entre município, empresas, academia e centros de investigação. O presidente prometeu ainda uma estrutura municipal ágil, flexível e focada nos cidadãos e nos empresários.
Resolver a escala à dimensão regional
O presidente insistiu que o problema da escala “não se resolve só ao nível municipal”. Por isso, Guimarães trabalha na criação da área metropolitana do Minho, em conjunto com Braga, a CIM do Ave e a CIM do Cávado, e com abertura à CIM do Alto Minho. Para o autarca, é preciso estruturar um pensamento regional que não dependa de um presidente de Câmara ou da conjuntura, para ganhar peso nos centros de decisão e captar mais financiamento. Ricardo Araújo felicitou todos os vencedores dos prémios entregues, que considerou um bom exemplo do que o concelho quer para o presente e para o futuro. Concluiu que o Mês da Economia serviu para juntar empresas, academia e trabalhadores, mas que o essencial é a execução ao longo dos restantes onze meses do ano.
CCDR Norte: “uma economia mais descentralizada constrói-se com territórios capazes de cooperar”
Também Álvaro Santos, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, defendeu a cooperação entre territórios. Disse que a inovação se mede pela capacidade de chegar à economia: produtos mais eficientes e com maior valor acrescentado, empregos qualificados e, no fim, melhores salários. O responsável destacou três prioridades da CCDR Norte. A primeira é reforçar a ligação entre conhecimento e atividade económica, apoiando projetos de cooperação com objetivos concretos que respondam às necessidades das empresas. A segunda é melhorar as condições territoriais para o investimento, nomeadamente acessibilidades, infraestruturas digitais e energia, e garantir previsibilidade a quem investe. A terceira é transformar planos em resultados, com atenção exigente à execução e ao impacto dos projetos apoiados pelo programa regional Norte 2030.
Álvaro Santos defendeu que os municípios ganham quando partilham recursos e competências e desenvolvem projetos a uma escala maior. Deixou o convite para que os contactos feitos durante o Mês da Economia resultem em projetos concretos, com parceiros e objetivos definidos, e garantiu a disponibilidade da CCDR Norte para trabalhar em conjunto.

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