Covid-19. Agora, as cerimónias fúnebres são mais “frias” e “impessoais”

Procedimentos nas cerimónias fúnebres mudaram muito com a pandemia.

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© CMG

À partida, todos os doentes que morrem nos hospitais são suspeitos de covid-19. Por isso, nesses casos, mesmo que a causa não seja covid-19, o tratamento é o mesmo: o corpo é colocado em duplo saco e sem roupa pelos enfermeiros, condicionado, numa urna fechada.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda ainda o mínimo manuseamento e a cremação dos corpos e determina que, em caso de enterro, as urnas não sejam abertas. A urna é fechada na casa mortuária e transportada para o cemitério ou crematório, onde apenas familiares diretos podem assistir a uma breve cerimónia fúnebre.

Tudo isto torna a cerimónia “mais fria” e “impessoal”, descreve Angelino Salazar, de uma funerária vimaranense. “Lidar com isto é muito complicado. Mesmo para nós, porque acabamos por ser uma espécie de conselheiros da família e temos de estar ao lado deles. É muito custoso, somos humanos e conseguimos pôr-nos no papel das pessoas que têm a perda”, confessa. Para Angelino, falta “aquele conforto, o abraço, a palavra dos amigos, a família e a comunidade”. Contudo, “há um bem comum que tem se sobrepor”, recorda.

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A perceção de José Abílio, gerente de outra funerária do concelho, é semelhante. “Fica um vazio muito grande”. “Tivemos um caso de uma família que não via o falecido desde o carnaval. Estava internado num lar. Veio para o hospital e não o puderam visitar. Como havia suspeitas de doenças contagiosas, não conseguiram vê-lo nem se despedir”, relata.

É por isso que, sempre que possível, José Abílio tenta que a cerimónia passe pela Igreja, dependendo da causa da morte. “Se for contagiosa, vai-se diretamente ao cemitério. Se for doença natural, tentamos passar pela igreja para se fazerem celebrações, para não haver corte completo”, aponta.

Angelino Salazar admite que os cuidados “não mudaram muito”, porque os procedimentos recomendados pela DGS tinham já sido adotados aquando da altura da Gripe A. “São procedimentos que para nós já são rotineiros e que para outras pessoas são novas. Com a Gripe A e doenças das Vacas Loucas tivemos o primeiro impacto e um banho realidade. Usamos sempre máscara, bata descartável, viseiras e gel”, frisa. O acesso ao corpo é se tornou diferente.

Por sua vez, José Abílio admite que tem sentido dificuldades em obter equipamento de proteção individual. “Temos muita dificuldade. Há três semanas que estamos à procura de máscaras. Arranjei umas a preços absurdos e as máscaras descartáveis não se arranjam”, lamenta.

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