A EXPERIÊNCIA, O CAMINHO E O CHÃO QUE TEMOS

por CÉSAR MACHADO
Advogado

1 – Na primeira crónica escrita neste jornal “Mais Guimarães”, em sua nova roupagem e natureza, perdoa-se que o escrito e o próprio jornal sejam o objecto do texto, ele mesmo. Perguntar-se-á:- a ideia é falar do falar? – falar do que se vai falar ou como  se vai falar? Não exactamente.  O terreno da crónica não me é propriamente novo, atentas as participações regulares em “O Povo de Guimarães”, ao longo de vários anos, e no “Notícias de Guimarães”,  na fase final da sua  publicação. O infausto encerramento de ambos os jornais foi o motivo da interrupção daquelas colaborações e do fim daqueles textos periódicos, dados à estampa durante anos a fio. Sucede que, em ambos os casos, tratava-se de publicar em jornais com muito tempo, especialmente no caso do “Notícias de Guimarães”.  Em ambos o casos apanhara, por isso, comboios em andamento.

Um jornal novo é outra coisa. O caminho vem pela frente e a experiência está por fazer. Como lembrava Marco Aurélio, A experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram. Estes romanos foram sempre muito práticos! Muito pragmáticos! Sem experiência, as feridas virão certamente –não há como  não virem- mas não vieram  ainda. E surgirão consoante as curvas da estrada. O que é novo aqui é o caminho a iniciar, o fazer de novo, “aquele haver viagem”, de que falava Baptista Bastos. É nisso que reside o gosto do desafio. A experiência é o que vai construir- se. As referências serão as que vierem a ser criadas. O rumo do todo que é o jornal é o que do todo resultar para quem o lê. E, nesse particular, cabe à crónica um papel um tanto especial. Vinicius de Moraes, um cronista de outra galáxia, dizia que Um jornal é um pouco como um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo, o fígado; e as secções, o aparelho digestivo – a crónica é o seu coração. É isto que se espera do espaço que a crónica preenche. Estou certo que o elenco de colaboradores escolhido assegurará essa função, conhecidas as suas qualidades, e o mesmo procurarei, modestamente, fazer neste espaço, quando me couber.

2 – Não me foi colocada qualquer incumbência de representação de alguém que não seja eu mesmo. E não me foi dito em momento nenhum que devo deixar de pensar pela minha própria cabeça. Não me deram qualquer missão que não seja escrever umas impressões que serão as de um cidadão, que tem as suas convicções –bem públicas-  e que não tenciona deixar  de dar uso ao cérebro ou  ofender o de quem o lê. Dito isto, se falhar a culpa é minha. Não há desculpa. 3 – Os termos em que o projecto jornalístico assenta foram expostos no número  antecedente, o inicial. O  jornal disse ao que vinha. É nesse chão que cabe ajudar a fazer crescer uma nova publicação na minha terra, que aborde os seus temas sem esquecer que “há mais mundo”. Participar desse caminho é uma honra e uma resposta a um convite que  agradeço aqui e agora. Só neste chão poderei manter o que disse antes. É para ajudar a criá-lo que aqui venho. E, posto isto, felicidades para o projecto, vamos ao trabalho e, como se  diz no Porto “P´rá frente c’o  andor qu’atrás vem gente”.

 

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