«AI QUE PRAZER, TER UM LIVRO PARA LER…»

por Isabel Ribeiro

Educadora de Infância 

Na minha estreia na «Mais Guimarães», escolhi como tema um dos meus maiores prazeres: a leitura. Desde pequena que eu tenho este gosto pelos livros. Lembro-me que este enamoramento começou quando frequentava a antiga «escola primária» e tomei contacto pela primeira vez com as letras e as palavras. Eu vivia numa pequena aldeia do concelho de Amarante, onde as coisas demoravam a acontecer. Não tínhamos acesso a quase nada e, então, eis que um dia, veio à nossa escola uma dessas carrinhas que pertenciam à Biblioteca Gulbenkian. Tenho de confessar que fiquei logo rendida a esta «carrinha mágica» que transportava com ela palavras presas em livros à espera de serem libertadas. E assim começou a minha grande paixão pelos livros. Lembro-me que podíamos requisitar um certo número de livros e eu aproveitava sempre ao máximo, mas, mesmo assim rapidamente ficava sem «munições» para o resto da semana. É que eu devorava as histórias que os livros me contavam. Se o texto me cativava, deixava-me levar pelas palavras e só descansava quando o livro chegava ao fim. Foi nesta altura que tomei contacto pela 1ª vez com a simpática Anita; com as aventuras dos Cinco; com os contos de Hans Christian Anderson; com as histórias maravilhosas de Sophia de Mello Breyner… Foi só o começo. Já nada se podia fazer. Estava irremediavelmente contaminada pelo «bichinho da leitura»! Durante as diferentes fases do meu crescimento como pessoa, tive a companhia dos livros. Desconfio até que a minha escolha profissional tenha sido influenciada pela «Daniela», uma personagem de um coleção de livros com o mesmo nome, que li na minha adolescência. Também ela era Educadora de Infância. Já no liceu, formávamos um grupo apaixonado pela leitura. Lembro-me que, nos intervalos das aulas, aproveitávamos para ler e, às vezes, quando as aulas não eram lá muito interessantes, refugiava-mo -nos nas palavras mais empolgantes da história do momento.

Ler, é sem dúvida, para mim, um prazer enorme! Haverá coisa melhor do que abrir um livro, começar a ler e esquecer tudo o que está à nossa volta? As palavras puxam-nos para dentro do livro e não nos libertam! Ficamos de tal maneira envolvidos pela história, pelas personagens, pelo ambiente, que só queremos fazer parte desse mundo. Há livros que têm o dom de nos transportar para outra dimensão. Como é possível que «pessoas» imaginárias nos possam influenciar tanto? Realmente, há personagens que se tornam tão reais, tão familiares, que é difícil livrarmo-nos delas. Mas na verdade não as queremos esquecer, pelo contrário. Queremos saber mais para além daquilo que o livro nos deu. Eu, pelo menos, dou por mim a imaginar a vida desta ou daquela personagem após ter finalizado a leitura do livro. Enquanto estamos envolvidos nessa história, «as pessoas» tornam-se reais. E quando isso acontece é realmente maravilhoso.

Como educadora, tento transmitir às «minhas crianças» este gosto pelos livros e pelas histórias. Todos os dias, na Hora do Conto, há palavras à solta prontas a serem absorvidas por estas pequenas mentes cheias de criatividade.

 

 

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