ARMANDO SALGADO

Nome completo
Armando Salgado

Nascimento
02/07/1936
Caldas das Taipas – Guimarães

Profissão
Reformado

Armando Salgado, 83 anos, é pragmático a descrever-se: antigo enfermeiro, “fanático por futebol”, nascido “aqui perto”. Mas aproveita o muito tempo que tem para absorver o que se desenrola à sua volta.

Observa, calmamente, a correria que se vai intensificando dentro do Pavilhão Almor Vaz (Inatel). Ouve as bolas de voleibol a bater nas paredes e no chão, as vozes saudosas que se confundem e se juntam numa só, quase como um coro, a agudeza sonora das solas das sapatilhas quando encontram o chão. “Ó senhor Armando, a vida?”, perguntam-lhe. Ergue a mão e, num leve abanar de cabeça, traduz-se uma resposta positiva.
Pouco se move e não se levanta da cadeira vermelha onde está sentado por qualquer coisa. Não se assusta e deixa-se estar, sossegado, sempre com a bengala de madeira em riste. Aos 83 anos, Armando Salgado já viu muito. Viu o serviço militar obrigatório, o desenvolver da cidade e das Caldas das Taipas, o casamento com a sua mulher, o crescimento de jovens (hoje considerados “séniores”), principalmente em pavilhões como este — ou noutras instalações ao ar livre.

“Fui enfermeiro de andebol 30 anos seguidos”, especifica, orgulhoso do feito. E o primeiro emprego como enfermeiro, segundo conta, foi “no Taipas, antes da tropa, em 1955”. Precisa de repetir a data para garantir que não se engana, mas a memória não lhe falha muito.

Entre Guimarães, Felgueiras e Montalegre

“Nasci no lugar do Alvite, ali nas Taipas, e sempre gostei da bola. Ia para a casa da minha madrinha para ver o futebol, mas a minha mãe não sabia”, recorda. O “vício” não lhe passou. Vê futebol e vai ao estádio quando pode. E faz questão de marcar presença no Guimarães Legends, que decorreu no passado sábado (ver texto ao lado).

No seu currículo constam passagens por algumas cidades. Chegou a Felgueiras em 1965 e já na altura “tinha feito o curso”: especializou-se “em enfermagem desportiva”. “Subimos de divisão e tudo, no Felgueiras”, aponta.

No mesmo ano, ia fazendo “uns biscates no Vitória”. “De borla!”, faz questão de frisar. Mas, em 1967, saiu de casa para ficar, por cinco anos, em Montalegre. “Teve de ser, era uma boa oportunidade e eu fui.” “Já estava formado, fui para o Minas da Borralha. Fui para lá e pagavam-me bem. Tinha casa, água e luz de graça”, conta. A aventura montalegrense terminou em 1972, ano em que voltou a Guimarães e ao Vitória — e, dessa vez, já os biscates tinham ficado no passado.

No Vitória até ao fim

Passou a integrar, então, a enfermaria vitoriana. “Lembras-te quando fomos campeões contra o Benfica?”, pergunta a Lázaro Nunes, “o primeiro relatador de jogos em Guimarães”, ex-jogador de andebol e ex-árbirto na mesma modalidade.

Lázaro confirma e aviva-lhe a memória: “Foi em 1974.” “É, é capaz de ter sido… Essa é que foi uma vitória”, responde-lhe Armando.
“Eu pelo meio ainda estive quatro anos no Moreirense, mas depois voltei para o Vitória. E fiquei até ir para a reforma”, explica.
Conhece os cantos àquele pavilhão como ninguém e por ali terá ficado durante muitos anos. “Trabalhei muito aqui, no Inatel, e com as camadas juvenis. Muito antes deste estádio, sabe?”

Passadas décadas deste a sua despedida do clube vitoriano, Armando reconhece as muitas caras que por si passam, contentes, ansiosas por cumprimentá-lo. Cresceram diante dos seus olhos e ele foi envelhecendo, mas há de ser sempre o senhor Armando.

Quando chamado para, juntamente com outras personalidades históricas do desporto vimaranense, revelar a placa de homenagem a desportistas que já partiram, chovem aplausos ao mesmo tempo que se ouve o seu nome.
E ele, sorriso no rosto de felicidade que não se disfarça, aceita o elogio em forma de palmas. No próximo ano há mais. E tudo repetir-se-á. •

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