ÀS AVESSAS

Por Paulo Novais,

Professor de Inteligência Artificial

Como estou este ano de licença sabática, tenho percorrido o mundo em diversas viagens que me têm levado (e levará) a diferentes latitudes e longitudes, na busca de novas ideias e de novas fontes de inspirações. Tento em cada lugar tirar algum tempo, entre cada reunião, palestra e/ou congresso, para observar. Observar o que me rodeia, ganhando o tempo que me vai faltando e fugindo no corrupio do dia-a-dia.

Como reflexo, da minha formação, tento sempre encontrar padrões naquilo que observo. Padrões que concentrem em si, resumos e generalizações de comportamentos, formas, hábitos, preferências, etc. Acredito que somos caracterizados por um conjunto de padrões, que nos caracterizam e nos definem, e que vamos ao longo da vida adaptando as circunstâncias, ao nosso contexto, ao evoluir do conhecimento, ao nosso tempo.

Cada geração (em seu tempo) sente-se perdido, confusa no “tempo” da geração seguinte. São por norma, tempos de mudança que trazem alterações que muitas vezes temos dificuldades em compreender. Somos, também, observadores subjetivos e limitados pela nossa capacidade de observar no tempo e no espaço. Observamos da janela da nossa casa, um mundo em mudança (constante) e nem sempre no sentido que julgamos ser o melhor (de acordo com as nossas crenças e desejos).

Um mundo (este e agora) caracterizando por ser uma época em que (essencialmente) o poder económico mudou de longitude, deslocando-se de ocidente para oriente e em que as alterações climáticas se estão a intensificar. A instabilidade tornou-se a norma, não podemos dar nada por adquirido. O que julgávamos serem os “nossos” direitos e nosso estatuto de gente do mundo ocidental estão agora a se transformarem em miragens.

Pelo planeta (ocidental), há ventos de desconfiança, de descrença, de mal-estar a soprarem que ameaçam se tornarem em tempestades de revolta. Os sinais estão aí, por todo lado se fala em desigualdades, corrupção, lutas pelas “migalhas” de uma festa que terminou, desconfiança pelo nosso semelhante. Dizia-se que “devemos dar a nossos filhos mais do que recebemos”, a ascensão social a que todas as gerações aspiravam terminou ou pelo menos “estagnou”. O problema, ainda é maior, na medida em que que estamos todos estagnados ou melhor parados no tempo, i.e. uma grande parte de nós sente-se abandonada numa qualquer escada… sem fim à vista.

O mundo está do avesso. O mundo que imaginávamos está todo ao contrário e estamos perdidos, como se estivéssemos numa ponte, em que de um lado temos o mundo do qual vimos (que era mais belo!) e do outro o mundo para onde vamos (tão cheio de incertezas e descrenças, e por isso aparentemente hediondo).

Gostaria de ter a certeza que existe uma vareta mágica para que um mágico (porque não baseado em Inteligência Artificial) operasse uma magia, mas isso não é possível. Mesmo a Inteligência Artificial e outras tecnologias são mais do que meros instrumentos que vamos desenvolvendo. Cabe ao Homem os utilizarem em seu proveito.

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