“Avalanche de amor” no canil de Guimarães

No passado sábado, 50 voluntários marcaram presença numa iniciativa da Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães (SPAG), que decorreu no Centro de Recolha Oficial (CROA). Isabel Rodrigues, vice-presidente da SPAG, fala do sucesso do evento e aborda a urgência da ampliação do CROA, em Aldão, uma obra que há alguns anos está “prometida” pelo município.

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Os animais estão confinados 24 horas por dia, por norma, nass boxes. Com apenas quatro voluntários, como até aqui tinha vindo a acontecer, era difícil mantes os animais mais do que 15 minutos no exterior. “A situação começou a ficar tão complicada que tivemos que tomar medidas”, disse Isabel Rodrigues lembrando que os animais estão “ali confinados e carentes de tudo e mais alguma coisa”. Foi assim que começaram a convidar os amigos para os acompanharem no voluntariado.

De quatro pessoas, passaram a nove. Ainda sem conseguir passear os animais todos, faziam “um cálculo do tempo que poderiam estar no exterior e passear o maior número de animais possível com o tempo contado”. Falaram com os amigos “para trazerem mais amigos” e foram divulgando o máximo possível. No fim de semana seguinte, apareceram 22 voluntários. “Fantástico, absolutamente maravilhoso”, descreve Isabel Guimarães que garante que “ninguém estava à espera”.

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Uma fotografia e várias partilhas depois, o grupo de voluntários cresceu. “Apelamos à comunidade que nos viesse ajudar, precisávamos de retirar os animais daquelas boxes”, contou a vice-presidente do SPAG que ainda não acredita no que presenciou. “É mesmo surreal termos aqui 50 pessoas”.

No canil de Guimarães, onde estão 46 animais e que Isabel Rodrigues diz estar “sobrelotado”, viveu-se “uma avalanche de amor”.

A comunidade de Guimarães uniu-se para ajudar

Isabel Rodrigues

Isabel Rodrigues garante que recebem “de braços abertos” todos os voluntários, mesmo aqueles que, como aconteceu no passado fim de semana, não são de Guimarães. “O que nos deixa cheios de orgulho, o que nos faz o coração bater mais forte, é que a comunidade de Guimarães uniu-se para ajudar”, explica.

Para a vice-presidente do SPAG, “se há uma necessidade urgente de ter tantas pessoas na rua no exterior do CROA, significa que no interior de CROA não há condições de bem-estar dos animais e que o bem-estar animal em Guimarães, para quem pode decidir, é uma palavra muito bonita e que fica bem no papel. É bonito dizer que Guimarães se preocupa com o bem-estar animal”, lamenta. Por outro lado, Isabel Rodrigues lembra que, em Guimarães, são muitos os que se mostram preocupados com a situação. Esta “é a voz da comunidade e de pessoas que se preocupam realmente com a causa animal”, garante.

“Mesmo que haja boa vontade, que há certamente dos funcionários do canil, os funcionários têm que fazer a limpeza dos boxes, têm que alimentar… É absolutamente impossível que eles consigam passear os animais. Quanto muito, fazem uma troca ou outra de forma a que consigam passear, mas não dá”, explica lembrando que “não há espaço para deixar os animais livres” pois os espaços exteriores não estão divididos.

A ampliação do CROA é um problema que a SPAG considera “urgentíssimo e extremamente necessário”, porque “os animais vivem em stress constante”. O local, diz Isabel Rodrigues, “parece um depósito de animais e os animais têm que ser tratados com dignidade. Não adianta mudar o código civil, não adianta falar do bem-estar animal se a estrutura é varrida para debaixo do tapete”.

Para ser um município que se preocupa com os animais, “não chega ter um piquete de recolha que os coloca aqui. É preciso criar condições para que sejam recuperados e encaminhados para adoção”, frisa.

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