Barroso da Fonte: O jornalismo como missão de uma vida

Num tempo em que o jornalismo enfrenta desafios profundos, da precariedade à desinformação, a celebração dos 73 anos de atividade jornalística de Barroso da Fonte é mais do que uma homenagem individual, é um reconhecimento do valor do jornalismo enquanto pilar da democracia e da cidadania.

© Eliseu Sampaio

A apresentação do livro “Decano dos Jornalistas Portugueses – 73 Anos de Causas e Casos de Barroso da Fonte”, no passado sábado, dia 24 de janeiro, em Guimarães, assinala um percurso raro, coerente e ininterrupto, iniciado ainda na adolescência, quando publicou a sua primeira notícia em 1953, antes de completar 14 anos.

Barroso da Fonte não é apenas um jornalista longevo. É, como sublinha António Dias Vieira, um verdadeiro esteio da imprensa regional.

A sua escrita regular, assídua e comprometida revela uma visão do jornalismo como serviço público, atento às causas, às pessoas e aos territórios muitas vezes esquecidos pelos grandes centros mediáticos. Ao longo de décadas, manteve uma postura firme, vertical e independente, nunca abdicando da defesa das suas ideias nem do papel interventivo do jornalista na sociedade civil.

A dimensão da sua obra impressiona: 64 livros publicados, em áreas que vão da poesia à investigação histórica e etnográfica, passando pela biografia e pela crónica, revelam uma curiosidade intelectual incessante e um profundo respeito pela memória coletiva.

A par disso, a fundação e cofundação de onze associações de âmbito nacional e regional confirmam que o seu jornalismo nunca se limitou à escrita, mas se estendeu à ação cívica concreta.

Num país onde tantas vezes se desvaloriza a experiência e a persistência, Barroso da Fonte lembra-nos que o jornalismo constrói-se no tempo, com rigor, proximidade e compromisso. Celebrar o seu percurso é também afirmar que a imprensa regional, feita com paixão e sentido de missão, continua a ser indispensável.

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