BIRINHA

Nome completo Maria Elvira Silva Ribeiro

Nascimento 09 de dezembro de 1941, Guimarães, Portugal

Profissão Comerciante

Birinha é a cara sempre familiar a quem frequenta o centro histórico. Doce como as iguarias que prepara, afaga com as mãos do trabalho os rostos das crianças que, geração após geração, a vão conhecendo. Continuou a tradição de família, e que é o seu sustento desde os oito anos, quando deveria estar mais ocupada com as lições de escola do que em afinar a arte de fazer chila. E o trabalho e força física que a chila exige!

Fez-se mulher “trabalhadeira” depois de a morte do pai ter determinado que deveria sair de Gonça, onde vivia com os muitos irmãos que tinha  e rumar ao centro da cidade para viver com a irmã mais velha e as três tias freiras. Essas três mulheres, uma já idosa e as outras duas com pouco mais de 20 anos, passaram “fominha”, num tempo de muitas necessidades, depois de terem sido despejadas do Convento de Santa Clara, que hoje serve de instalações à Câmara Municipal de Guimarães.

Consequências das reviravoltas que chegaram com a república, em 1910. Mudaram-se para o número 68 da rua de Santa Maria onde ainda hoje Elvira vive, bem junto àquilo que as freiras consideraram durante toda a vida um lar. A socialização foi tarefa árdua: conta a Birinha que as tias não falavam com as pessoas exteriores ao convento. A roda que um dia serviu para depositar as crianças indesejadas usava-se, à altura, para colocar os doces conventuais em troca de dinheiro.

Depois de empreenderem o negócio das tortas das Costinhas (as Costinhas, suas tias) e dos afamados arroz doce, broinhas de amêndoa e canela, frutas em calda, marmelada, roscas de manteiga e toucinho do céu, dedicaram- -se à hotelaria. Eram referidas pelos padres como gente de boa índole para receber os meninos que saíam das aldeias para irem estudar no Liceu.

Birinha era desse tempo, mas entretanto as tias morreram. Elvira casou com um funcionário do Liceu e teve quatro filhos. Gente a mais para quem já tinha a casa cheia. Foi aí que se direcionou apenas – e este apenas é só para excluir a parte do alojamento porque Birinha, ainda hoje, trabalha 12 horas por dia – para os doces. Principalmente o toucinho do céu que enfeita com papéis coloridos e que amassa à mão, cujo esticar da massa exige trabalho a quatro mãos.
As tortas de Guimarães, em concha e com efeito franzido, são a imagem de marca da Casa Costinhas. São um pecado de comer e salivar por mais. Mas Birinha não é só doce. Devota-se muito aos nove netos, cinco dos quais ainda vivem consigo, naquela casa emblemática. A vida foi, sempre, muito dura: “Antes de ir para a escola tinha que levar o doce a essas pastelarias antes de chegar às aulas”. “Era muita porrada e muito trabalho”, resume assim a sua infância.
Mulher de coração terno, já assegurou o futuro do estabelecimento. Dos quatro filhos apenas uma abraçou a tradição das suas antepassadas e vai fazer perpetuar um dos melhores segredos que Guimarães tem para saborear, numa sala pequena com cheiro a café da histórica rua de Santa Maria.

Por: Catarina Castro Abreu

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