BLOCO REUNIU COM IEFP PARA SE INTEIRAR DA “REALIDADE DO TRABALHO” NA REGIÃO DO AVE

José Maria Cardoso e Sónia Ribeiro reuniram com responsáveis pelo Centro de Emprego de Guimarães esta manhã. O deputado aponta dois problemas: a não correspondência do salário dos trabalhadores com a formação exigida e realizada e o “abuso” dos contratos de emprego de inserção.

Partido procura reunir “dados e informações concretas” acerca da situação laboral na região. ©Mais Guimarães

Numa altura em que a discussão do Orçamento do Estado para 2020 entra em fase de especialidade, o Bloco de Esquerda (BE) procurou “ter conhecimento da realidade do trabalho e do emprego” na região do Ave. Por isso, José Maria Cardoso, deputado da Assembleia da República eleito pelo círculo eleitoral de Braga nas últimas legislativas, e Sónia Ribeiro, coordenadora da concelhia, estiveram no edifício do Centro de Emprego de Guimarães para “perceber sobre dados e informações concretas” acerca da situação laboral na região. “Temos a intenção de acompanhar toda esta área de trabalho a nível das implicações que tem na vida das pessoas, do desemprego, a produção da própria riqueza da região e fazemos esse acompanhamento permanente”, contextualizou o deputado.  

Para José Maria Cardoso, entre “situações pontuais” e “estruturais”, existe uma que se destaca: o nível de preparação e formação para “acompanhar o desenvolvimento tecnológico daquilo que é exigido hoje aos trabalhadores” parte “de uma compensação através do estado”, mas também “das próprias empresas”. Isto porque, segundo o bloquista, as empresas criam “uma escapatória” para não abarcarem “com os custos dessas formações, fazendo com que esses custos passem para o lado mais social da questão, que é a nível do Estado”. “E é por isso que muitas vezes é o centro de emprego que tem de fazer essa formação, quando seria da competência das próprias empresas”, acrescentou. Acerca do assunto, o deputado defendeu que é “inadmissível e inaceitável” não existir um “aumento salarial” para os trabalhadores após o investimento dos mesmos na sua formação, que acabam por “contribuir para um aumento da riqueza nacional e das próprias empresas, que aumentam o seu volume de negócios à custa disso”. “Há muitos trabalhadores com salário mínimo nacional e com dificuldades na sua vida pessoal quando têm investimento feito por si para a melhoria das suas qualificações”, reforçou.

A reunião do partido com os responsáveis pelo Centro de Emprego de Guimarães cingiu-se à área em que o concelho se inscreve — e que engloba, por exemplo, Fafe —, mas os problemas identificados “ocorrem em qualquer centro de emprego” porque “está institucionalizado de uma forma geral no distrito”. Outra das questões salientadas por José Maria Cardoso diz respeito a “um abuso” dos contratos de emprego de inserção, a definição de o trabalho “socialmente necessário por parte de desempregados beneficiários de subsídio de desemprego ou de subsídio social de desemprego”, segundo o IEFP. De acordo com o deputado, decorrem “370 este ano”, o que parece, na ótica do BE, “ainda exagerado”. “Na maior parte dos casos, estes abusos fazem com que não sejam criadas condições para haver um emprego após este tipo de contratos. Portanto, há que fazer um controlo mais apertado sobre estas situações, para que este abuso não se institucionalize com alguma banalidade”, disse.

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