BRUNO VIEIRA

Nome completo: Bruno Renato Fitas Vieira
Nascimento: 23 de Fevereiro de 1978 Barreiro, Portugal
Profissão: Escritor

Foi operador de um call center, gerente de bomba de gasolina, em Inglaterra, gerente de sala de cinema, que entretanto faliu, teve um bar em Alcochete – o Pop-art – que entretanto também acabou por fechar. O reverso do toque de Midas. São experiências que Bruno Vieira Amaral, Prémio José Saramago 2015, relata em “Falhar melhor”, da revista Granta. “Foram fracassos. A literatura pode dourar a pílula mas aqueles momentos foram duros e dramáticos. Estava longe de imaginar que estava a recolher material para livros”, disse o autor durante a sua passagem por Guimarães, no âmbito da iniciativa “Escritor no Concelho”, do Festival Literário Húmus.

Para o autor de “As primeiras coisas”, romance que lhe valeu o prémio e serviu de catapulto para os escaparates das livrarias, “a vida é mais importante do que a literatura e a literatura é a menos importante das coisas mais importantes”. “Sou obcecado pelo real e pelo que observo”, realçou. E é na religião, no futebol, na televisão, no seu crescimento onde vai buscar o material para moldar através das palavras.

Não diria que a literatura lhe serve de terapia mas confere sentido às suas experiências através dos livros. Escrever tem uma missão mais ampla: a de “resgatar pessoas e acontecimentos do esquecimento que de outra forma desapareceriam”. Respeitar as memórias, aquilo que vai testemunhando e transformá-los em literatura é aquilo a que Bruno Vieira Amaral se dedica. E exemplifica: “Havia um senhor que costumava ir pedir comida ao meu bairro [Bruno cresceu no Barreiro, criado pela avó] durante anos. A minha avó dava-lhe sopa até que um dia esse senhor desapareceu. Mas ele existiu, é real e hoje só existe praticamente na minha memória. Transformá-lo em personagem é uma forma de manter a sua existência”. “Essa motivação para mim é importante mas para o leitor não”, reconhece. Por isso “não interessa ser real, tem que ser convincente dentro do livro. É para isso que eu escrevo. Se funciona ou não dentro do leitor isso é outra coisa. Quero que seja uma recriação daquilo que vejo”.

Várias foram as experiências que lhe foram moldando a vida e a escrita. Desde crescer na crença das Testemunhas de Jeová até à morte – digamos que estúpida – de um amigo (assassinado por um homem que se sentiu incomodado com o barulho que fazia enquanto tentava telefonar de uma cabine telefónica).

Bruno Vieira Amaral é escritor, crítico literário e tradutor. Nascido em 1978, licenciou-se em História Moderna e Contemporânea. Esteve na Mostra Nacional de Jovens Criadores através da sua poesia. Fez várias colaborações com o DN Jovem, revista Atlântico e no jornal i. Também é autor, entre outros, do blogue Circo de Lama. Enfrenta agora um twist profissional: vai deixar o cargo de assessor de comunicação das editoras do Grupo Bertrand Círculo para se dedicar por inteiro à escrita. Que lhe valha a sabedoria que o autor brasileiro, Nelson Rodrigues, partilhou com ele: Não é fácil viver de livros, mas é possível viver da escrita.

Por: Catarina Castro Abreu

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