C.A.R: “UMA SEGUNDA CASA PARA MUITA GENTE” QUE COMEMORA 80 ANOS

As comemorações do Círculo de Arte e Recreio começaram neste mês e estendem-se até ao próximo ano.

© Mais Guimarães

“Senhor João, conte lá como começou esta aventura?” A pergunta é feita a João Ribeiro, o “Pitada”, na Gazeta Associativa, um jornal de edição única do programa das comemorações dos 80 anos do Círculo de Arte e Recreio (CAR). E João contou de como gostava de música, como tocava guitarra e como se juntaram os músicos que tocavam gaita de beiços para formar o “Ritmo Louco”. Corria o ano de 1939. Oitenta anos depois, o CAR recebeu João Pitada, fundador com 95 anos, que marcou presença no dia 15 de novembro na sede da associação para celebrar a ocasião.


No bar do CAR, uma fotografia do grupo “Ritmo Louco” é elemento chamativo para quem abre a porta de entrada. Lá está “o homem da viola”, na companhia dos restantes músicos, a saudar quem entra naquele que é, segundo quem o procura, “um espaço de acolhimento e de liberdade”. “Antigamente era praticamente a minha segunda casa. Todos os dias era um ambiente diferente. Estávamos aqui na conversa e de repente começavam a tocar e a cantar. Era uma farra”, recorda Arménio Sá, pintor vimaranense, que, embora já não frequente a casa como noutros tempos, continua a acarinhar a instituição. Aliás, “carinho” é, para os que frequentam o CAR uma palavra-chave.


“Por aqui havia um pouco de tudo. Tertúlias e festa pela noite dentro. Saiu daqui muita gente de renome para várias áreas. Foi uma escola para muita gente. Deve ser das instituições mais acarinhadas da cidade”, sublinha Arménio Sá, que foi medalhado pela cidade nas comemorações do 24 de junho do ano passado e esteve presente no dia de aniversário. O dia marcou também o início das comemorações dos 80 anos, que se estendem até a outubro de 2020. O programa aponta para festividades em áreas distintas, desde o desporto à cultura.

No dia em que “o Pitada” marcou presença era visível o caracter inter geracional do espaço que junta os que guardam memórias da cidade – como o antigo Café Oriental, no Toural -, e aqueles mais novos, que encontram refúgio nas salas do CAR, mesmo que não falem a língua e estejam em Portugal de passagem (é um local de eleição para a comunidade Erasmus em Guimarães).

A presença do fundador é, na ótica do presidente da direção, Jorge Cristino, um momento de regozijo: “Foram várias as tentativas, mas nunca se tinha proporcionado. Nestes 80 anos surgiu a oportunidade. Muito graças ao facto de termos uma Comissão de Honra e Comissão Executiva, coordenada pelo Professor Capela Miguel. Através de contactos conseguimos que viesse.”

O facto de estar presente também contribui para manter viva a chama do CAR, um espaço de liberdade que contribuiu para animar a sociedade vimaranense durante períodos mais conturbados da história. O grupo musical “Ritmo Louco” animou gentes e ajudou a criar um espaço de abrigo em tempos marcados pela noite, que durou até 1974. “Passaram por aqui, antes e depois do 25 de Abril, nomes importantes da música de intervenção. Era um espaço de liberdade”, frisa Arménio Sá. “Trata-se de um espaço de liberdade e assente em valores e princípios fundamentais. É um lugar com uma identidade muito forte, muita acarinhada e com muito potencial”, afirma Jorge Cristino.

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