CATARINA SILVA

Nome completo
Catarina da Cunha Silva

Nascimento
19 de Setembro de 1997, Guimarães

Profissão
Militar

Não falta muito para Catarina Silva partir na sua primeira missão. A República Centro-Africana é o destino desta vimaranense, que para além de ser a segunda mulher a integrar a unidade de combate, é também a mais nova do grupo, partilhando os 21 anos apenas com um camarada. Embora prefira manter-se no anonimato e não goste de dar entrevistas, Catarina Silva mostrou, ao longo da conversa com o Mais Guimarães, realmente o que disse ser: “primo muito pelo atavio, pela exigência, pelo ajudar o outro, por ser genuína”. Conheça um pouco da história da jovem, que já tem muito para contar.

“Sempre fui uma miúda mais ligada aos primos e ao irmão, porque as primas eram mais velhas que eu. Era mais protegida e habituei-me mais à presença deles do que delas”, começou por explicar. Na infância, recorda-se que a mãe lhe tentava “incutir roupas de menina”, mas nunca teve muita sorte. O estilo “maria-rapaz” era o que mais se adequava à sua personalidade e assim ficou. Catarina Silva sempre foi muito dedicada aos estudos e ao desporto. Praticou basquetebol e posteriormente kickboxing – sempre no Vitória, o clube de coração -, desportos que a própria considera “tipicamente mais masculinos”. A esses gostos “diferentes das miúdas da mesma idade”, acrescentava-se o fascínio pela vida militar, pelas armas e filmes de guerra. “Lembro-me do meu avô contar as histórias sobre a PIDE, sempre teve aquele espírito revolucionário. O meu pai também foi militar, da tropa obrigatória, mas foi de Cavalaria que é a minha área”, revelou.

Muito estudiosa, optou por seguir Artes, contra a vontade dos pais. Mas este é outro sonho seu, que levou a vimaranense a estudar também Arquitectura. Ainda assim, não descurou do seu maior objetivo. “Fui para a tropa com 17 anos. Na altura, pensei que era a melhor fase, porque estava em boa forma e sabia que se depois quisesse entrar na Academia seria mais fácil. Como sabia que ia ser vantajoso, porque podia estudar e trabalhar ao mesmo tempo, convenci-me que aquela era a altura. Convenci o meu irmão a vir comigo, eu com 17 e ele com 23 ou 24. Passamos os dois nas provas, mas não pude ficar na recruta dele porque era menor. Tive que esperar por uma incorporação até ter 18 anos e calhou-me a de S. Jacinto, dos paraquedistas. Gostei imenso de fazer lá a recruta”, explicou. Como queria ficar perto de casa, escolheu a Cavalaria de Braga.

Catarina Silva sempre quis entrar na Academia, mas teve dois azares. Da primeira vez, em 2017, não entrou devido a uma anemia, “grave por causa das perdas de peso pós-combate”. Em 2018, ao faltarem “400 metros para concluir o desafio”, partiu um pé e adiou o sonho mais uma vez. Ainda assim, garantiu que não deixará de tentar.

“Entretanto, surgiu a oportunidade da missão”, contou, acrescentando que se falava em Afeganistão ou República Centro-Africana. Quando lhe perguntaram qual preferia, não hesitou: “RCA”. “Escolhi esta missão pela experiência. No sítio que é, cria-se uma noção da vida e começa-se a valorizar coisas que aqui não fazem sentido, como valorizar um copo de água fresca. É uma realidade diferente. Se é boa? Não é, mas é a realidade que se calhar precisamos de enfrentar. Vamos apanhar o inverno: chuvas tropicais, mas ao mesmo tempo com 40 graus. Na base temos condições, não nos falta nada. As coisas complicam-se quando vamos para as projeções. A nossa função é proteger a população, e quando é necessário fazer uma escolta, um reconhecimento de uma zona, aí torna-se complicado. Mas estamos preparados. Não podia ter escolhido melhor grupo do que os Comandos”, referiu.

Ao ser questionada sobre o medo, Catarina Silva não hesitou: “Tenho. Não de mim, mas medo pelos meus. Se tivesse que dar a vida por um camarada meu dava!”, concluiu.

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