CATARINA SOUSA

Nome completo: na Catarina Gomes Sousa
Nascimento: 14 de março de 1998 Guimarães, Portugal
Profissão: Estudante

Quando os jornalistas chegam à manif e perguntam pela responsável do protesto para prestar declarações é Catarina, 17 anos, que aparece. O discurso está afinado: “Lutamos pela escola pública. Não é justo que a escola que é de todos fique com menos recursos para que as escolas privadas possam ter um maior financiamento do Estado”. O protesto, que andou pelas ruas de Guimarães na última quinta-feira, 09, esteve integrado numa iniciativa nacional levada a cabo pelo Movimento “Basta. Na Rua Pela Escola Pública”. Os alunos reivindicam sobretudo a conclusão das obras nas escolas públicas, o apoio nos livros escolares, mais material de laboratório e turmas com menos alunos.

Indigna-a que alunos que estão “a fazer estágios curriculares remunerados a 0,23€ à hora estejam a tirar o lugar a um funcionário que a empresa claramente precisa”. Questiono de onde é que saiu toda esta consciência social e política. Catarina foi conhecendo pessoas ligadas ao Movimento “Basta”, com as quais foi aprendendo a questionar. Agora faz parte da Juventude Comunista Portuguesa e identifica-se com as ideias de esquerda. Fez este caminho sozinha, quase à revelia da vontade dos pais, que preferiam que ela não se envolvesse em atividades político-partidárias.

No seu grupo de amigos – nenhum deles filiado – discute-se sobre o estado em que está o país. Outros dispensam a “sua conversa do costume” e preferem que ela seja a Catarina normal, como as outras raparigas da idade dela, que estudam, que saem à noite, que querem ir a festivais. Catarina tem também essa dimensão de adolescente do seu tempo.

Estudante considerada “exemplar”, com uma média 18,2 valores, vê-se a meio do segundo período do 12º ano sem saber em que curso superior quer ingressar. Sente-se pressionada para seguir medicina – por ter uma média alta é uma “escolha natural, quase obrigatória” – mas pensa noutras formações, como engenharia e gestão industrial. Mas custa-lhe “estar num trabalho em que tenho que criar processos que transformam pessoas em seres autómatos, em que têm que render o mais possível”.

Além de estudar e da atividade política, Catarina trabalha desde dos 15 anos em pastelarias. “Já fui mais mal paga, mas agora, comparando com outros estabelecimentos, até ganho bem. Trabalho aos fins de semana para poder comprar a minha roupa e os livros”, conta, dizendo que nas Taipas, vila de onde é natural, é muito comum que as jovens da sua idade conciliem os estudos com o trabalho.

Afirma que não estuda muito, mas tem uma boa memória que a ajuda a conseguir os resultados. Defende que, hoje, os estudantes são sujeitos a muita pressão, a serem competitivos entre si. Sentiu isso na pele: “sempre me compararam com outras alunas com notas melhores do que as minhas. Mas resolvi não ceder a esse género de pressão. E foi quando deixei de ter essa ansiedade, esse stress, que me tornei ainda melhor aluna”.

Diz ter tempo para tudo. Periodicamente pega no seu cartão da Biblioteca Municipal e vai alugar livros, com preferência para Dostoievsky. “Acho muito interessante que transforme conceitos como o amor, tem uma perspetiva diferente sobre tudo e isso cativa-me muito”, diz. Catarina aspira a tanto e, segura, nota que ainda não sabe que caminho vai seguir – “gosto da atividade política mas não é que queira ser primeira-ministra nem nada”.

Por: Catarina Castro Abreu

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