Columbofilia: os pombos também ajudam o tempo a voar durante o isolamento

A columbofilia tem milhares de praticantes em Portugal. Alexandre e Filipe partilham o entusiasmo pela modalidade e dedicam muitas horas do dia a cuidar dos “atletas”, que fazem provas “até 800 quilómetros” .

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Algum tempo depois de ter sido decretado o dever geral de recolhimento, imposto pelo primeiro estado de emergência, um organismo federativo fez uma declaração singular dirigida aos milhares de praticantes e outros tantos entusiastas: “As pessoas estão fechadas em casa há mais de um mês e o nosso desporto é praticado precisamente a partir de casa, pelo que este tipo de atividade pode contribuir para minimizar o problema do isolamento”. As palavras são do presidente da Federação Portuguesa de Columbofilia (FPC), José Jacinto, que aludia à ideia de que os pombos podem ajudar a mitigar a situação atípica provocada pelo surto de covid-19.

Companhia, descompressão e dedicação são palavras que também podiam caber no dicionário de isolamento de Alexandre Marques e Filipe Carvalho, dois columbófilos vimaranenses. “Os pombos são, sem dúvida, uma companhia, um escape ao stress do dia-a-dia. A columbofilia requer várias horas diárias no pombal, horas que são passadas com prazer, mesmo quando têm que ser a correr, devido às atividades profissionais dos columbófilos”, respondem, através de uma resposta escrita, os integrantes da equipa Os Conquistadores.

Formada em 2018, a equipa teve na base o espírito colaborativo e a amizade. Apesar de só Alexandre e Filipe estarem ativos, são respaldados por outros aficionados da arte. Para além de ajudar, os amigos “servem para comer e beber quando fazemos convívios no pombal”, brincam.

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A modalidade exige, no entanto um recurso precioso, que pode escassear quando o processo de desconfinamento progredir: o tempo. É que cuidar de dezenas de aves dá trabalho. Afinal, estamos a falar de “atletas de alta competição” – os pombos, neste caso – que fazem provas “até 800 quilómetros”. “O dia-a-dia de um columbófilo exige muito trabalho e imenso tempo”, explicam, reforçando que é necessário treinar todos os dias. Os Conquistadores, que, fruto do isolamento, puderam “desfrutar as horas” e tarefas “com outra calma” têm 90 pombos no pombal dos voadores e 30 reprodutores.

Eles vão continuar a voar

Os constrangimentos atrelados à propagação do novo coronavírus são, na columbofilia, os “os mesmos que afetaram todos os outros sectores da sociedade”. “De repente, vemo-nos impedidos (e bem) de praticar este desporto, no qual passamos todo o ano a trabalhar com a ansiedade de que chegue Fevereiro para a 1.ª prova. Temos expectativas, objectivos, e neste momento estão em stand by“. guardamos ansiosamente pelo recomeço da competição, até porque estávamos a fazer uma excelente época”, reiteram.

A FPC adiou as competições (apesar dos pombos e dos columbófilos se manterem ativos) e remeteu a retoma das competições para maio.“Foi a decisão mais sensata”, referiu o presidente do organismo federativo, não obstante a modalidade ser pouco exposta a contágio.

A competição vai, no entanto, retomar no próximo fim de semana. “Também temos de nos preocupar com o bem-estar dos animais e sabemos que chegando ao mês de julho, com o calor, não será possível competir”, esclareceu José Jacinto, em declarações à agência Lusa. A paragem interrompeu uma série de resultados positivos d’Os Conquistadores, que já contam com pergaminhos na competição. “No primeiro ano vencemos algumas provas na Sociedade Columbófila de Guimarães e fomos campeões de Velocidade no Grupo (entre as coletividades de Guimarães, Fafe, Vizela e Póvoa de Lanhoso). Nesta época que está interrompida, além de termos vencido algumas provas, íamos em 1.º na classificação geral”, enquadram. Os pombos d’Os Conquistadores vão voltar a competir. Resta esperar para ver que cenário verão quando nos próximos dias, de lá de cima, olharem para baixo.

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