COMO SE PREPARA O HSOG PARA LUTAR CONTRA A COVID-19?

Hélder Trigo, diretor clínico, explica ao Mais Guimarães o “trabalho logístico bastante complicado” em curso no HSOG. Sabe-se que os números vão crescer durante algum tempo, mas há respostas preparadas. E a ajuda da população conta muito.

© Mais Guimarães

Um vírus coloca em suspenso as certezas, os planos e a normalidade dos dias. E torna atípica a organização de um hospital, cujos profissionais procuram saber como lidar com “uma coisa nova”. “Estamos a mudar os serviços de um local para o outro, há pisos alocados para tratarmos esta doença. É um trabalho logístico bastante complicado, porque a preocupação é preparar para o que vai acontecer”, explica Hélder Trigo, diretor clínico do Hospital da Senhora de Oliveira de Guimarães (HSOG). Para os profissionais na linha da frente para dar a volta às dificuldades que o novo coronavírus trouxe, estes “são dias de ansiedade”. Porque os números vão crescer e há carência de material, como já havia indicado Marco Silva, administrador do hospital e presidente do Rotary Club de Guimarães.  

Por agora, “as coisas estão relativamente pacatas e as pessoas têm afluído menos às urgências”, conta o diretor clínico. Mas o que é que acontece quando alguém com sintomas da Covid-19 se desloca ao HSOG para realizar o diagnóstico? Até agora, existe “um circuito”: “Qualquer pessoa que chegue ao Serviço de Urgências vai ao balcão de atendimento e responde a algumas perguntas relativamente aos sintomas ou se esteve em contacto com alguém infetado. Havendo uma mínima suspeita, a pessoa é infetada, dá-se a máscara e a proteção e segue para um local isolado.” Mas isso é por pouco tempo.

Ainda que Hélder Trigo garanta que o HSOG tem ainda espaço para isolar infetados — e dois infetados nunca ficarão na mesma divisão, assegura —, as tendas hospitalares instaladas nas imediações do hospital começarão a ser utilizadas ainda esta semana. “As tendas estão prontas e temos um circuito por onde os utentes vão circular. Servem para rastreio. E esse circuito é feito logo à entrada, já que os suspeitos são logo separados”, explica. “É evidente que este sistema pode falhar, mas fazemos de tudo para que isso não aconteça. E as pessoas têm de dar o seu contributo.”

De que forma é que a população pode ajudar? No caso de quem tenha sintomas ou tenha estado em contacto com um infetado, é mesmo importante relatar tudo com exatidão. “Não podem esconder informação. Já aconteceu de a pessoa não dizer tudo e ter sido localizada numa sala normal. Depois, lembrou-se de que não tinha dito certa informação e tivemos de a tirar de lá”, exemplifica o diretor clínico. Por outro lado, Hélder Trigo salienta que só se deve ir ao hospital quando for necessário o tratamento, “nos casos de febra alta, falta de ar, dor de cabeça”: “Há pessoas que vão estar infetadas e vão estar quase normais em casa. Sei que não é fácil, mas em caso de sintomas leves, aconselho a ligarem para a linha da Saúde 24 e a seguirem as indicações.”

E o diretor clínico frisa que a população “não deve entrar em pânico”, mas sim “isolar e não receber contacto”. “Muitas pessoas dadas como positivas vão ser mandadas para casa e monitorizadas diariamente. Se o estado de saúde piorar, sim, serão internadas. Mas a grande maioria é curada com um tratamento idêntico ao da gripe. Há pessoas que poderão estar infetadas sem saber e que podem vir a curar-se espontaneamente.”

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