Conselho Fiscal do Vitória dá parecer favorável à venda de 17% da SAD à V Sports

O Conselho Fiscal do Vitória Sport Clube emitiu parecer favorável à alienação à V Sports, S.C.S., de ações representativas de 17% do capital social da Vitória Sport Clube, Futebol, SAD, nos termos da proposta submetida à Assembleia Geral extraordinária de 30 de outubro de 2026.

@ Vitória SC

O parecer, datado de 27 de outubro e assinado pelo presidente do órgão, Rui Castro Dias, impõe uma condição: que sejam integralmente asseguradas, na formalização e execução da operação, as salvaguardas nele identificadas, designadamente a proteção do património do Clube e a manutenção da sua participação maioritária na SAD. Segundo o documento, a operação faria subir a participação da V Sports de 29% para 46%, mantendo o Clube uma participação maioritária de 50,84% e os restantes acionistas 3,16%. O Conselho Fiscal explica que a proposta procura recuperar o modelo aprovado pelos sócios em 2023, em que a V Sports ficava com 46%, depois reduzido para 29% por força das restrições regulamentares da UEFA. Sublinha, no entanto, que essa continuidade não dispensa uma avaliação autónoma das condições atuais.

Situação financeira agravada, preço mantido

O parecer compara a situação da SAD com a que serviu de referência à venda de 2023, relativa a 2021/2022: capitais próprios negativos de 17,57 milhões de euros, passivo de 52,12 milhões e prejuízo anual de 13,73 milhões. Agora, o passivo subiu para 85,30 milhões e os capitais próprios negativos atingiram 36,83 milhões, um agravamento do défice patrimonial de cerca de 19,26 milhões. Embora o prejuízo anual de 2025/2026 seja inferior ao de 2021/2022, o Conselho Fiscal considera que a situação patrimonial se deteriorou de forma significativa. No plano operacional, os dados de 2025/2026 mostram um EBITDA negativo de 17,21 milhões de euros, sem contar as operações com direitos de atletas. Com essas operações, o EBITDA foi positivo em 1,56 milhões. Depois de depreciações e amortizações de 6,96 milhões, o resultado operacional ficou em 5,41 milhões negativos, a que acrescem resultados financeiros negativos de 5,60 milhões.

Neste contexto, o Conselho Fiscal destaca como elemento positivo para o Clube, enquanto vendedor, o facto de o preço proporcional se manter praticamente idêntico ao acordado em 2023, apesar de a SAD estar hoje em pior situação patrimonial.

Capitalização e reestruturação da dívida

O preço de 2 milhões de euros será integralmente aplicado pelo Clube na capitalização da SAD. A esse valor junta-se uma contribuição de 1,8 milhões da V Sports, perfazendo 3,8 milhões destinados à redução do endividamento, através de prestações acessórias com posterior conversão em capital social. O Conselho Fiscal considera positiva essa afetação, mas ressalva que, face à dimensão do passivo, o reforço deve integrar um plano mais amplo de estabilização financeira. A operação prevê o compromisso de desenvolver, em 60 dias úteis, um plano de reestruturação da dívida da SAD, com propostas concretas de financiamento. O órgão recomenda à Direção que promova o esclarecimento das linhas orientadoras do plano assim que possível e defende que este identifique os financiamentos a renegociar, as fontes e os montantes, os custos, os prazos, as garantias, as condições de disponibilização dos fundos e o calendário. Deixa ainda um alerta: qualquer prestação de garantias que possa comprometer a maioria do Clube na SAD ou onerar o património do Clube deverá ser previamente aprovada pelos sócios em Assembleia Geral.

Embora as condições definitivas do financiamento não sejam ainda conhecidas, o Conselho Fiscal refere ter indicação de que a solução em preparação poderá ser mais favorável do que as alternativas de mercado, sem necessidade de hipotecar ou onerar o património do Clube.

Governo da SAD e acordo parassocial

O Clube mantém o direito de indicar três dos cinco administradores, incluindo o presidente. O parecer recorda, porém, que, tal como em 2023, a maioria do capital e do Conselho de Administração não dá ao Clube poder de decisão autónomo sobre todas as matérias estratégicas: a aprovação do orçamento, a alteração do protocolo entre o Clube e a SAD e a contratação de certos financiamentos ou garantias, quando não previstos no orçamento em vigor, exigem o voto favorável de quatro dos cinco administradores, o que implica entendimento com a V Sports.

Face ao acordo de 2023, o Conselho Fiscal destaca como reforços de proteção do Clube no novo acordo parassocial a conformidade com as regras da UEFA sobre propriedade multiclube, a obrigação de as partes elaborarem uma solução de reestruturação financeira com entidades financeiras credíveis, mecanismos para desbloquear situações de impasse e uma avaliação periódica, de três em três anos, da eficácia da parceria e do cumprimento das obrigações da V Sports. O órgão valoriza a avaliação trienal numa parceria com horizonte de 30 anos, bem como a possibilidade de o Clube optar pela cessação antecipada do acordo se a V Sports vender a sua participação a um novo investidor.

Riscos da não aprovação

O Conselho Fiscal considera a parceria de importância vital para a estabilização da SAD e defende que maior previsibilidade da tesouraria poderá reforçar a posição negocial da SAD no próximo mercado de inverno, permitindo cumprir compromissos sem alienações urgentes de atletas, desde que os recursos previstos sejam disponibilizados atempadamente. Já a não aprovação implicaria encontrar soluções alternativas e, na falta de uma alternativa viável em tempo útil, poderia agravar os constrangimentos de tesouraria e aumentar a pressão para vender atletas em condições potencialmente menos favoráveis. O órgão entende que estes riscos devem ser ponderados pelos associados, a par dos compromissos e salvaguardas da operação, numa decisão livre e esclarecida.

O Conselho Fiscal diz que acompanhará a execução dos compromissos e recomenda a prestação periódica de informação sobre resultados, desvios e medidas corretivas.

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