CONSUMO DE ÁLCOOL JUVENIL “É NEGATIVO” PARA A INTENÇÃO DE CANDIDATURA DAS FESTAS NICOLINAS À UNESCO

 

O Estudo Antropológico das Festas Nicolinas de Guimarães foi apresentado esta quinta-feira, dia 13 de dezembro, pelo antropólogo Jean-Yves Durand, no dia em que o centro histórico de Guimarães celebra 17 anos como património mundial da UNESCO.

Na Black Box do CIAJG, o antropólogo francês explicou quais os motivos pela dificuldade na intenção de candidatura das Festas Nicolinas a património cultural e imaterial da UNESCO, começando por se desculpar na demora do estudo. “Este estudo demorou muito tempo e assumo essa responsabilidade. Mas um estudo desta natureza tem que demorar”, esclareceu. Em relação às dificuldades para a intenção de candidatura, Jean-Yves Durand apontou que “a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial é um pré-requisito legal para a candidatura à UNESCO”, e que neste momento “a situação da política pública da cultura imaterial de Portugal tem muitos problemas”. “A ficha de inscrição das Nicolinas foi lacrada há dois anos, mas ainda não recebeu qualquer reação”, explicou, acrescentando que não é uma situação única no país.

Para além desta dificuldade, o antropólogo referiu que a questão do consumo de álcool nos jovens poderá ser um impedimento à candidatura da UNESCO. “Duvido que a UNESCO seja recetiva a uma candidatura em que o álcool tenha um papel tão importante. Seria problemático que um município promovesse uma atividade ilegal, que faz parte da tradição”, disse, acrescentando que este é um ponto que se deve verificar junto da UNESCO. “Assumir a questão do álcool como problema parece inevitável. Mas também é absurdo propor as Festas Nicolinas a sumo”, apontou o responsável pelo estudo, propondo um debate entre o município de Guimarães e os serviços de saúde.

Jean-Yves Durand na apresentação alertou ainda para alguns “receios colaterais” caso seja feita a candidatura das Festas Nicolinas à UNESCO. “Pode constituir uma ameaça, como alterações. Na relação de poder entre Nicolinas e UNESCO, sabemos quem tem o poder”, apontou.

O estudo está disponível no site do município, e conta também com a participação de António Amaro das Neves, Rui Faria, Hugo Castro e Clara Saraiva. O documento foi ainda transformado em e-book, com fotografias, vídeos e áudios das Festas Nicolinas, mas ainda não se encontra disponível.

 

 

 

 

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