COVID-19: ENTRE CANCELAMENTOS, QUEBRAS E ESPERANÇA NOS NEGÓCIOS VIMARANENSES

Se há um hotel que já reconhece uma quebra nas reservas, outro passa a informação de que tudo decorre com normalidade. Garantido está o reforço das medidas de higiene. AVH diz que a situação nos restaurantes começa a ser “catastrófica”.

© Mais Guimarães

O novo coronavírus já infetou, na totalidade, de mais de 130 mil pessoas em todo o mundo. Quase 75 mil recuperaram, perto de 5 mil morreram. Para conter a propagação do vírus, diversas medidas foram tomadas. Em Guimarães, como já noticiamos, diversos espaços públicos foram fechados e o acesso a determinados serviços estão condicionados. Mas a preocupação geral e as restrições espelham-se na hotelaria e restauração vimaranenses, bem como no comércio.

Ricardo Pinto da Silva, da Associação Vimaranense de Hotelaria (AVH), afirma ao mais Guimarães que “já se nota uma quebra”. “A previsão é que se note cada vez mais e não só nos hotéis”, acrescenta. O cancelamento, suspensão e adiamento de diversos eventos, culturais ou desportivos, deixam a sua marca. Em comunicado publicado nesta quinta-feira, a AVH frisou a importância de não se entrar “em alarmismos”, mas ressalvou que os seus associados “estão a tomar as devidas precauções”, através das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Direção-Geral da Saúde (DGS). A associação salientou ainda, no mesmo comunicado, que está disposta a esclarecer dúvidas de qualquer índole aos interessados, mesmo que não sejam associados.

No Santa Luzia Arthotel, o impacto do novo coronavírus já se faz sentir: “Tem afetado e temos tido alguns cancelamentos, já que trabalhamos muito com o mercado internacional. Mas é algo a curto prazo”, conta Cidália Castro. A diretora do Santa Luzia Arthotel garante que a unidade hoteleira tem seguido as indicações da DGS, havendo espaços preparados para “isolamentos e procedimentos a tomar”, bem como um “reforço na limpeza e nas informações transmitidas” aos clientes. Os turistas, diz Cidália Castro, “estão informados e tranquilos”.

Já segundo as respostas da Administração da Stay Hotels, que detém o Stay Hotel Guimarães Centro, não se registou, “até à data, uma quebra significativa nas reservas para a cidade, nem é possível associar o número de cancelamentos ao surto de Covid-19”. A mesma fonte adianta que está implementado um Plano de Prevenção e Contingência “que prevê a formação e sensibilização dos seus colaboradores”. “Na receção do hotel também já foi colocado um folheto informativo sobre a doença, em zona visível à chegada”, refere a administração.

“Focamo-nos nas medidas preventivas de higiene, como a adoção de regras de etiqueta respiratória ou a limpeza frequente das mãos, e nos procedimentos de atuação e vigilância de casos suspeitos. Na receção do hotel também já foi colocado um folheto informativo sobre a doença, em zona visível à chegada”, informa a administração do hotel. Tanto um como outro hotel referem que as soluções antisséticas de base alcoólica estão já disponíveis em pontos “estratégicos”.

Noutro ponto de vista, Sandro Gomes, gerente da agência Guimarães Viagens, diz não notar nenhum decréscimo na venda de viagens para o estrangeiro. Ainda assim, nota que os destinos mais afetados pela propagação do coronavírus poderão vir a ser cada vez menos escolhidos, como o “Norte de Itália, a China, a Coreia do Sul ou o Japão”. “É um pouco cedo, neste momento não é época alta de lazer”, diz Sandro Gomes. Contudo, o gerente daquela agência não nega que poderá vir a sentir uma quebra no negócio quando chegar a altura típica de marcação de férias. Quanto a cancelamentos, o cenário é idêntico.

Da parte da Associação do Comércio Tradicional de Guimarães (ACTG), a presidente Cristina Faria afirma que todas as diretrizes da OMS e DGS estão a ser cumpridas pelas lojas: “O melhor que temos a fazer é lavar as mãos sempre que necessário e respeitar a distância de segurança. É importante não entrar em pânico.” A presidente da ACTG realça que é prioritário “não entrar em pânico”. Ainda assim, diz já se notar “uma quebra de vendas nesta altura”; contudo, Cristina Faria defende que o primeiro impacto já terá passado.

Mas o impacto começou a sentir-se nos restaurantes. O presidente da AVH diz mesmo: “A nível da restauração, a situação começa a ser catastrófica.” Ainda assim, há quem dê a volta ao problema: há negócios que começam já a apostar na modalidade take-way, para minimizar a concentração de pessoas num espaço fechado e, assim, contornar a situação. Da parte da AVH surgiu a recomendação de que os espaços de restauração devem manter o “um maior distanciamento” entre mesas para que o contacto seja o mais restrito o possível.

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