COVID-19: QUE RESPOSTAS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA?

Instituições como a CERCIGUI ou a AIREV mantêm contacto com utentes através de videochamadas e asseguram, na medida do possível, o bem-estar das famílias através de conselhos e providenciando alimentação. As visitas aos lares residenciais suspensas.

© Mais Guimarães

Com medidas a nível nacional cada vez mais restritas, também as instituições sociais tomam decisões para conter a propagação do novo coronavírus. Essas escolhas procuram defender a saúde de todos, mas podem mexer com o dia-a-dia de utentes de instituições sociais como a CERCIGUI, APCG ou AIREV. Rafaela Oliveira, psicóloga na AIREV, refere que, apesar de os utentes “estarem protegidos em casa”, há competências que se vão perder. E alguns utentes da instituição vizelense foram “muito contrariados” para casa.

Por Guimarães, os serviços da Associação de Paralisia Cerebral de Guimarães (APCG) encerram esta terça-feira “até informação em contrário”. Assim, os utentes e as suas famílias devem proceder ao que é aconselhável nesta altura: ficar em casa, evitando ao máximo os contactos sociais.

O mesmo acontece, em parte, na CERCIGUI. O Centro de Reabilitação e Formação Profissional (CRFP), o Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) de Guimarães e da vila de Ponte, bem como o Centro de Recursos para a Inclusão (CRI), estão encerrados. “Por indicações da Segurança Social e pelas diretrizes indicadas, fechamos as respostas sociais. Não temos casos positivos nem supostos casos e estamos a tomar todas as medidas necessárias través do plano de contingência”, assegura Rui Leite, presidente da direção da instituição vimaranense. “Mas há uma resposta que não podemos fechar”, diz.

Os lares residenciais continuam abertos, mas as visitas não são permitidas. Os 21 utentes internos, apesar de terem um espaço limitado nesta altura, contactam com os familiares através de videochamadas. “É complicado. São pessoas que estão sempre em atividade e movimento e a semana passada foi complicada, principalmente para eles. Mas aproveitamos o momento para explicar o que é este vírus, quais os sintomas, a importância de lavar as mãos”, explica Rui Leite. E todos “seguiram à risca” as informações e indicações passadas.

O mesmo aconteceu na AIREV, que acolhe utentes vimaranenses. A interrupção das atividades personalizadas nos CAO “vai criar impacto”, mas, para apaziguar a mudança na rotina das pessoas com deficiência, Rafaela Oliveira assegura que a instituição vizelense faz chamadas “pelo menos duas vezes por semana”, estando ainda asseguradas refeições para famílias com menos posses económicas, “que ainda são algumas”. As videochamadas também começaram a fazer parte da rotina dos colaboradores da AIREV.

A iniciativa repete-se na CERCIGUI: “Não descuramos do apoio às famílias e vamos continuar a dá-lo via chamada telefónica. Há muitas famílias com necessidades e, por isso, temos equipas sociais e técnicos que poderão entrar em contacto quase diário para saber se é necessário apoio a nível da saúde, da alimentação ou da logística. Não queremos que as pessoas fiquem sem apoio”, enfatiza. E muitos dos que asseguram que tudo está bem em tempos atípicos, são os colaboradores dessas partes da CERCIGUI que, entretanto, ficaram vazias. Rui Leite refere que eles são “voluntários incansáveis” que “desde logo quiseram ajudar” nesta altura. Assim, os voluntários asseguram que tudo está bem, averiguando se algum dos seus utentes e membros da sua família têm algum dos sintomas.

Com o trabalho dos colaboradores das diferentes instituições, também os utentes passam a informação sobre a Covid-19 e os cuidados a ter aos familiares: “Algumas famílias já ligaram para dizer que já sabem as instruções a seguir por causa dos nossos utentes”, salienta Rui Leite. “Já há duas semanas que tínhamos vindo a tomar essa iniciativa e reforçar as idas às casas de banho”, diz Rafaela Oliveira. E passar informação para os utentes destas instituições é fundamental: “Se é tudo muito novo para nós, para eles é muito mais”, realça a psicóloga.  

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