Da Quaresma à Páscoa: Arte, Música e Fé pelas ruas, igrejas e museus de Guimarães
Guimarães apresentou esta terça-feira, 17 de março, o programa "Da Quaresma à Páscoa", numa sessão realizada no Museu Alberto Sampaio. A iniciativa, que decorre de 20 de março a 12 de abril, pretende transformar Guimarães num espaço vivo de fé, património, música e gastronomia, para vimaranenses e visitantes. Maria de Lurdes Rufino, diretora do Museu Alberto Sampaio, foi a anfitriã da Conferência de Imprensa.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
“É uma programação que resulta do esforço coletivo de inúmeras entidades, paróquias, irmandades, sociedades culturais e serviços municipais”, começou por afirmar Isabel Ferreira, vereadora da Cultura e do Turismo da Câmara Municipal de Guimarães. “Esta é uma oportunidade de valorizar o património histórico e religioso da cidade, mas também de aproximar a comunidade e os visitantes das tradições que nos definem.”
Exposição “A Paixão em Guimarães”: Arte e Simbolismo
No centro da programação está a exposição “A Paixão em Guimarães”, organizada pelo curador José Carlos Miranda. A mostra propõe um itinerário simbólico pelas igrejas e espaços patrimoniais da cidade, reunindo obras e artefactos religiosos que ilustram a Paixão de Cristo. O percurso centra-se em quatro imagens emblemáticas: a Arca, o Cordeiro, o Trono e o Pelicano, símbolos presentes na Bíblia e na arte sacra, evocando a presença divina e a ideia de redenção.
“A experiência do percurso é um convite à reflexão sobre a presença do sagrado na arte e na memória coletiva de Guimarães”, explicou José Carlos Miranda. “Foi um esforço recórdico articular todos os elementos, das igrejas às coleções museológicas, passando pelos detalhes da curadoria e pela coordenação com as paróquias.”
Entre os locais em destaque estão a Igreja de São Francisco, São Sebastião, Nossa Senhora da Oliveira, a Basílica de São Pedro e a Sociedade Martins Sarmento, além de espaços menos conhecidos, como o Oratório do Senhor dos Desamparados e a fachada do antigo Convento de Santa Clara. “Cada ponto do itinerário apresenta imagens e textos explicativos que ajudam a interpretar os significados espirituais e culturais, unindo património local e narrativa cristã”, acrescentou José Carlos Miranda.
Solenidades Religiosas: Tradição e Participação
O programa inclui um calendário intenso de celebrações religiosas, com procissões, via-sacras, missas e recolhas do Compasso Pascal. Destacam-se a Procissão dos Santos Passos, a Procissão do Enterro do Senhor, a Vigília Pascal e a Bênção dos Ramos, distribuídas por várias igrejas do Centro Histórico.
“A riqueza deste trabalho está na colaboração entre paróquias e irmandades”, comentou Paulino Carvalho, pároco de Nossa Senhora da Oliveira. “ Quem quer ir depressa vai sozinho, mas quem quer ir longe vai em conjunto”, disse. “É assim que conseguimos preservar e transmitir a tradição, celebrando com beleza e permitindo que todos, fieis ou visitantes, participem e compreendam estas celebrações.”
O representante das paróquias e irmandades, na Conferência de Imprensa, reforçou que, embora a tradição exija participação ativa, “tentamos facilitar a compreensão para todos, desde os vimaranenses até aos turistas, garantindo que a liturgia, a música e a arte sacra criem um espaço de envolvimento e contemplação.”
Festival Internacional de Música Religiosa
Entre 27 de março e 4 de abril, Guimarães recebe o Festival Internacional de Música Religiosa, dirigido artisticamente por César Viana. O festival apresenta concertos em igrejas e espaços patrimoniais, abordando repertórios desde música antiga até composições contemporâneas, e reunindo agrupamentos nacionais e internacionais, como Ludovice Ensemble, Orquestra de Guimarães, Martin Welzel, Capella Sanctæ Crucis e coros locais.
“É um festival de nível extraordinário, com música antiga e moderna sacra, nacional e internacional”, destacou César Viana. “É uma joia de Guimarães, uma oportunidade de mostrar as grandes criações da humanidade na área da música religiosa, interpretadas pelos agrupamentos mais importantes, e que espero que continue por muitos anos.”
O festival também se estende a espaços públicos com o Carrilhão LVSITANVS, realizando concertos ao ar livre no Largo do Toural e no Jardim do Coreto em Caldelas, aproximando a música do público e fomentando um diálogo entre património, tradição e comunidade.
Gastronomia, Oficios e Atividades Educativas
Como complemento, os Fins-de-Semana Gastronómicos, de 27 a 29 de março, destacam a gastronomia regional, com pratos como Sopa Rica, Bacalhau com Broa e Toucinho-do-Céu, promovendo a integração entre cultura, turismo e tradição. O evento envolve 12 restaurantes, oito unidades de alojamento e quatro quintas de enoturismo, oferecendo uma experiência completa a residentes e visitantes.
Atividades educativas no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta permitem que crianças explorem heráldica, símbolos da Páscoa e o bordado tradicional. Oficinas como Bordar na Praça valorizam ofícios locais em espaço público, reforçando a identidade cultural e artesanal de Guimarães. “Estas atividades são uma forma de mostrar a riqueza da cidade em múltiplas dimensões”, disse Isabel Ferreira. “Do património religioso à gastronomia, passando pela música e pelo artesanato, estamos a criar experiências para todos, que refletem a história, a fé e a criatividade de Guimarães.”
A vereadora destacou ainda o papel das entidades parceiras e de todos os curadores, técnicos e voluntários que tornaram possível a programação. Isabel Ferreira sublinhou que o envolvimento coletivo é essencial: “Não se trata apenas de organizar eventos, mas de criar experiências que unam património, fé e comunidade. Este programa é de todos e para todos. Queremos que cada pessoa que visite Guimarães, mesmo que não tenha fé, possa sentir a beleza e o valor cultural das nossas tradições.”





