Deolinda Novais: um século de graça, força, ternura e ensinamentos

Deolinda Novais celebrou esta quinta-feira, 31 de julho, o seu centésimo aniversário, rodeada de afetos, sorrisos e uma sala cheia de gente que quis homenagear uma vida plena, marcada por autonomia, ternura e uma ligação profunda ao lar onde escolheu viver há já 26 anos.

© Helena Lopes / Mais Guimarães

A festa surpresa foi preparada pela equipa do Centro de Solidariedade Humana Professor Emídio Guerreiro, da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães, instituição que Dona Deolinda sempre descreveu como a sua verdadeira casa. “As funcionárias são a minha família”, repete com gratidão, mesmo agora, quando a memória já vacila e a mobilidade está mais frágil.

Chegou ao lar por vontade própria, em 1999, com o seu companheiro. Foi ela quem procurou a Santa Casa, encantada com o então recém-inaugurado edifício, e decidiu mudar-se sem sequer contar ao marido, uma decisão que demonstra a sua determinação e sentido prático. Desde então, nunca mais quiseram sair.

Ficou após a morte do companheiro, sempre feliz com a escolha. Durante décadas foi uma residente ativa, autónoma, elegante e bem-disposta. “Sempre cuidada com a imagem, vaidosa no melhor sentido da palavra, muito zelosa com a roupa, o cabelo, os dentes. Ia todas as semanas ao cabeleireiro e gostava de incentivar os outros a fazer o mesmo”, refere Ana Salgado, a diretora técnica da instituição, em conversa com o Mais Guimarães.

Apesar de uma recente queda ter reduzido a sua autonomia e deixado marcas físicas, Dona Deolinda adaptou-se com a mesma dignidade e resiliência que pautou a sua vida. Hoje, enfrenta também ligeiros sinais de demência, mas mantém o sorriso fácil, o espírito doce e a boa disposição que conquistou todos à sua volta.

Sem filhos, conta com o carinho de sobrinhos e irmãs, mas é entre os corredores do lar e nas mãos das cuidadoras que encontrou o seu verdadeiro refúgio. “É uma demência feliz, tranquila. Ela sente-se bem, sente-se em casa”, descreve.

O dia do seu centenário foi vivido com enorme emoção. “A sala encheu-se num instante com colegas, funcionários, amigos e familiares. Pessoas que passaram por aqui e que guardam dela a memória de uma mulher alegre, generosa e inspiradora”, conta Ana Salgado, sublinhando que é para isso que trabalham todos os dias: “Proporcionar um fim de vida digno, feliz e cheio de sentido, como o da Dona Deolinda.”

Mais do que uma festa de aniversário, a celebração de Dona Deolinda foi uma lição de vida. De como envelhecer com graça, de como escolher, mesmo em momentos difíceis, o melhor lugar para continuar a viver. E, acima de tudo, uma prova de que os lares podem ser  verdadeiramente casas felizes.

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