Dia Mundial da Saúde Mental

Assinalou-se ontem, dia 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental. O tema proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é “Saúde Mental para todos: Maior Investimento – Maior Acesso”.

Este ano o Dia Mundial da Saúde Mental é celebrado num momento em que nossas vidas foram significativamente alteradas como consequência da pandemia.

O objetivo geral da OMS é aumentar a consciencialização sobre as questões de saúde mental em todo o mundo, mobilizar esforços em prol da saúde mental e destacar a necessidade urgente de aumentar o investimento neste sector, que tem vindo a ser cronicamente subfinanciado. Anualmente, antes desta nova realidade, menos de 2% dos orçamentos nacionais de saúde eram investidos na área da Saúde Mental.

Emanuela Lopes, psicóloga (esquerda), Rosa Rodrigues psiquiatra (direita).

A pandemia COVID-19 interrompeu serviços essenciais de saúde mental em 93% dos países em todo o mundo, enquanto a necessidade de procura por saúde mental está a aumentar exponencialmente, de acordo com uma nova investigação realizada pela OMS. Analisados os dados referentes a 130 países, os primeiros dados mostram o impacto devastador do COVID-19 no acesso aos serviços de saúde mental e ressalta a necessidade urgente de um maior financiamento nesta área.

Os últimos meses trouxeram muitos desafios: para os profissionais de saúde, que prestam os seus serviços em circunstâncias complexas e difíceis em sistemas de saúde que estavam inicialmente despreparados e sobrecarregados, que relatam altos níveis de ansiedade, stress, burnout e depressão com gravidade crescente; para os alunos que tiveram que se adaptar às aulas à distância, com pouco contato com professores e colegas e preocupados com o futuro; aos trabalhadores, cujos meios de subsistência ficaram ameaçados; ao grande número de pessoas presas na pobreza ou em ambientes humanitários frágeis com muito pouca proteção contra a COVID-19; para pessoas com condições pré existentes de saúde mental, muitas das quais estão ainda mais isoladas socialmente do que antes. O luto e a dor de perder um ente querido, que numa fase inicial desta pandemia os familiares e amigos não tiveram hipótese de se despedir. As crianças e adolescentes enfrentam problemas de educação e ambiguidade sobre o seu futuro. O confinamento, o isolamento social, o aumento do stress, o aumento do consumo das substâncias ilícitas e do álcool, fez com que muitos fossem expostos a taxas mais elevadas de abusos ou negligência. O regresso às aulas em regime presencial apesar de ser tão aguardado e expectante para os alunos e respetivas famílias, começa a provocar um aumento dos níveis de ansiedade com o aparecimento de casos infetados nas escolas, fazendo com que turmas completas sejam colocadas em isolamento profilático no domicílio. Também a violência doméstica aumentou com o confinamento das vítimas em casa, com seus agressores.

O impacto de todas estas situações, impacto este sem precedentes, não pode ser subestimado.

Nos tempos atuais, a pandemia e tudo que trouxe com ela, está a fazer aumentar a procura dos serviços de Saúde Mental. Daí, ser cada vez mais pertinente a necessidade de uma “Saúde Mental para todos: Maior Investimento – Maior Acesso”.

“Uma boa saúde mental é absolutamente fundamental para a saúde geral e o bem-estar”, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, que tendo em conta os aspetos anteriormente referidos, reforça que uma boa Saúde Mental, aumenta a produtividade, diminuí a taxa de absentismo e o consumo de cuidados de saúde.

Tudo isto destaca a necessidade de mais investimento para a Saúde Mental. À medida que a pandemia continua, uma demanda ainda maior será colocada em programas nacionais e internacionais de Saúde Mental que sofreram por anos de subfinanciamento crónico. Gastar 2% dos orçamentos nacionais de saúde em saúde mental não é suficiente. Investir em programas nacionais e internacionais de saúde mental, que há anos não recebem recursos, é mais importante do que nunca. Os financiadores internacionais também precisam fazer mais: a saúde mental ainda recebe menos de 1% da ajuda internacional destinada à saúde.

De forma a ajudar a lidar com as dificuldades resultantes destes novos tempos, deixamos aqui algumas estratégias para cuidar da sua saúde psicológica (fonte OMS):

  • Manter o contacto com familiares e amigos – a dica mais importante é reformular a frase “distanciamento social” para “distanciamento físico com ligação social” para enfatizar a importância de se manter ligado a outras pessoas;
  • Manter rotinas e criar um plano – definir objetivos e pensar numa rotina diária ou semanal;
  • Tomar decisões saudáveis – fazer exercício físico, alimentação saudável e dormir uma boa noite de sono:
  • Agendar tempo para relaxar – alivar o stress e ansiedade;
  • As notícias e informação sobre a pandemia – não estar constantemente a ver as notícias, uma ou duas vezes por dia no máximo e consultar só fontes credíveis; procurar também ler ou consultar artigos positivos sempre que puder.

É importante manter um senso de esperança e lembrar a população sobre a natureza temporária da pandemia, mas não hesitar em consultar um profissional de saúde habilitado, caso necessário.

Não podemos nem devemos subestimar a Saúde Mental.

Não há saúde sem Saúde Mental.

Emanuela Lopes e Rosa Rodrigues

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