DULCE FÉLIX E RICARDO RIBAS: O CASAL OLÍMPICO

Chegar aos Jogos Olímpicos não é um feito ao alcance de todos os atletas. Muitos excelentes atletas nunca chegam a este estatuto reservado para os melhores do mundo de cada modalidade. Em Guimarães há um casal em que marido e mulher vão estar na olimpíada do Rio de Janeiro.

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São 11h00, está um belo dia de primavera no Parque da Cidade Desportiva, junto à pista de atletismo Gémeos Castro. Ricardo Ribas e Dulce Félix já têm 20 Km corridos. Ele está a recuperar depois de recentemente se ter apurado para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e ela está a começar o período de preparação específica para participar na maratona feminina dos JO. Não é caso inédito um casal participar nos JO, porém, a lista é suficientemente curta para ser sempre um motivo adicional de atração. Ao todo, desde que se realizam os Jogos Olímpicos da era moderna, terá havido menos de 20 casais de atletas a participar. Entre os mais conhecidos estão os tenistas André Agassi e Steffi Graf, o príncipe Alberto do Mónaco a princesa Charlene, ele participou nas olimpíadas de inverno entre 1988 e 2002 e ela esteve nos JO de Sydney em 2000.

dulce-felix-e-ricardo-ribas_-rui-dias-6Ricardo Ribas, de 38 anos, é um estreante nos JO. Dulce vai estar nos Jogos pela segunda vez, depois de em Londres ter sido 21.ª classificada na maratona. “Em Londres não correu como eu queria, o objetivo passa por fazer melhor agora”, diz Dulce Félix. “Muito melhor”, acrescenta Ricardo com o sorriso que transpira confiança. A atleta de Azurém, duas vezes campeã nacional de 5000 metros, bicampeã nacional de 10 000 metros e campeã da Europa da distância em 2012, foi também campeã nacional de corta-mato em 2010, 2011 e 2012, entre outros títulos nacionais e internacionais, afirma que seria um objetivo alcançado ficar entre as dez primeiras a chegar à meta no Rio de Janeiro. Muitas vezes o público desconhecedor só dá valor às medalhas, não percebendo o esforço que é necessário para estar presente nuns JO. “Ali já só estão os melhores dos melhores”, explica Dulce Félix. “Não se compra um bilhete para ir aos JO”, é preciso muito “esforço, trabalho e dedicação”, acrescenta Ricardo.

Dulce Félix e Ricardo Ribas destacam a estabilidade financeira e familiar como o essencial para um atleta poder atingir bons resultados

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Ricardo Ribas esteve nos últimos quatro meses a preparar a qualificação em Mira. “No total não estive mais de duas semanas em casa neste período”, afirma reconhecendo que é mais fácil quando se tem ao lado alguém que compreende esta necessidade. Para Ricardo “o grande patrocinador de todos os atletas é a família”, sem qual não acha possível superar as fases negativas que surgem na carreira de todos. Por pouco todo o trabalho ia por água abaixo. Uma indisposição no dia da maratona de Hamburgo obrigou o atleta português a desistir aos 4 Km. Felizmente foi possível recuperar e participar, dias depois, na maratona de Dusseldorf para conseguir os mínimos. Os atletas em preparação olímpica usufruem de uma bolsa que não tem garantias de continuidade. Um atleta que participe agora nos JO do Rio de Janeiro, se estiver num mau dia e não fizer uma boa classificação pode sair dos JO sem bolsa para continuar a treinar. Nestes casos, o atleta tem que fazer uma travessia do deserto até um campeonato da Europa ou do Mundo, para voltar a entrar no programa. “Muitos atletas perdem-se aqui”, explica Ricardo. Ricardo é o atleta português, em atividade, com mais participações em campeonatos internacionais e sabe do que fala. São já 22 anos de atividade se começarmos a contar desde que Ricardo deixou Miranda do Douro para ir para Lisboa, na altura para o Maratona Club de Portugal. “Eu encaro a participação nos JO como um prémio de carreira, num momento em que sei que nos próximos dois anos terei de acabar”, diz o atleta que, ainda assim, tem a mesma idade que o nosso primeiro medalhado de ouro, Carlos Lopes, tinha quando ganhou a maratona de Los Angeles, em 1984.

Por ser sábado, no dia em que os encontrámos, não treinaram mais. Em dias de semana voltariam à estrada ou à pista ainda mais uma vez.

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